A Justiça do Piauí aceitou denúncia do Ministério Público contra oito pessoas identificadas como Luciano Almeida Silva, Alex Pereira dos Santos, Enthony Dias de Oliveira, Victor Eduardo Rodrigues da Silva, Denilson Souza dos Santos, Lucas Kauan Alencar Oliveira, Maria Eduarda de Oliveira Braga e Fernanda de Oliveira Ferreira, acusadas de integrar um esquema de fraudes bancárias conhecido como o golpe da falsa central telefônica. Os réus foram denunciados por furto mediante fraude eletrônica e associação criminosa, após investigações revelarem a atuação do grupo em diversos estados.
A decisão foi assinada pelo juiz de Direito, respondendo pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Teresina, Caio Cézar Carvalho de Araújo .
Narra a denúncia do Ministério Público que a investigação teve início em junho de 2024, quando uma vítima, residente no Piauí, foi vítima de uma ligação de supostos funcionários do Banco do Brasil. Utilizando técnicas de engenharia social, os golpistas convenceram a vítima de que sua conta estava sendo invadida, induzindo-a a fornecer dados e realizar operações bancárias sob o pretexto de “corrigir falhas de segurança”.
Ao longo de dois dias, a quadrilha conseguiu acesso às contas da vítima e de sua esposa, de onde foram subtraídos valores superiores a R$ 200 mil. As quantias foram transferidas para contas de terceiros, utilizadas pelos integrantes da organização para dissimular a origem dos recursos.
Transferências e estrutura criminosa
A investigação revelou que os valores subtraídos eram pulverizados entre diversas contas bancárias, em clara tentativa de dificultar o rastreamento pelos mecanismos de segurança financeira. Entre as movimentações destacadas, estão: PIX de R$ 13.100,00 e outro de R$ 36.650,00 para conta de Luciano Almeida Silva; PIX de R$ 36.546,00 para Alex Pereira dos Santos; transferências e saques para contas de Fernanda de Oliveira Ferreira, Lucas Kauan Alencar Oliveira, Maria Eduarda de Oliveira Braga, Denilson Souza dos Santos e Enthony Dias de Oliveira.
A quadrilha também utilizou os dados das vítimas para contratar empréstimos bancários, abrir contas digitais (como no PicPay) e efetuar saques de investimentos, incluindo CDBs e poupança, além de realizar compras via cartão de crédito.
Todos são acusados de integrar a organização criminosa voltada à prática de fraudes bancárias eletrônicas. Alguns deles, como Victor Eduardo, já respondem a outros processos por crimes semelhantes nos tribunais do Distrito Federal e de Goiás.
Ação coordenada
Conforme apurado pela Polícia Civil , os réus atuavam de forma coordenada, com divisão de tarefas: alguns cuidavam da abordagem e convencimento das vítimas, outros cediam contas bancárias para receber os valores, enquanto outros ainda se encarregavam da dispersão do dinheiro e da ocultação dos rastros financeiros.
A estrutura da fraude visava burlar o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Banco Central, criado para facilitar a devolução de valores subtraídos via golpe. A pulverização dos valores em várias contas dificultava a recuperação dos montantes pelas instituições bancárias.