O senador Ciro Nogueira (PP) informou, em entrevista ao Estadão , que não será candidato a vice-presidente em 2026 e que disputará a reeleição ao Senado. Ele disse ter comunicado a decisão ao ex-presidente Jair Bolsonaro , após semanas de especulação sobre seu nome no campo da direita. “Meu nome não está disponível. Vou disputar o Senado pelo Piauí”, afirmou.
“Tudo o que eu falava, estavam desvirtuando porque (diziam) que eu queria ser vice. Para encerrar essa situação, já comuniquei ao presidente Bolsonaro que vou ser candidato ao Senado”, disse Ciro.
Ao tratar da articulação para a escolha de um nome capaz de enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva , Ciro destacou que o apoio de Bolsonaro segue decisivo para a construção de uma candidatura competitiva. Segundo ele, pesquisas internas do PP apontam o governador Tarcísio de Freitas como o mais bem posicionado. “É claro que passa pelo aval de Bolsonaro. E, se ele aceitar, todo o centro e a direita vão se unir”, disse.
“Eu tenho certeza de que, se tiver a escolha de um candidato viável como o Tarcísio, todo o centro e a direita do País vão se unificar”, argumentou o senador. “O instinto de sobrevivência e a importância dessa eleição para o futuro do Brasil não vão nos permitir errar.”
O senador também comentou as tensões recentes com setores bolsonaristas, após críticas de Eduardo Bolsonaro , que ocorreu após o deputado afirmar publicamente que Ciro Nogueira estaria articulando para ser vice numa chapa da direita em 2026. As declarações circularam entre grupos bolsonaristas e alimentaram a especulação de que o senador pretendia ocupar o posto.
Ciro negou a informação e afirmou que o episódio já foi resolvido e defendeu a necessidade de unificação da direita até dezembro. “O instinto de sobrevivência não vai permitir que a direita erre”, declarou. Sobre o rompimento do PP com o Governo Lula, afirmou que o movimento ocorreu tarde, ainda que integrantes do partido permaneçam em cargos federais.
Ciro avaliou que temas como o papel do Supremo Tribunal Federal e a segurança pública devem influenciar a disputa de 2026. Ao comentar o cenário eleitoral, disse que Lula lidera pesquisas por ainda não enfrentar um adversário definido. “É um avião que voa sozinho, baixo e com pouca autonomia”, afirmou. Segundo ele, a consolidação de um nome único da direita pode alterar o quadro da eleição.
Ciro nega qualquer chance de reaproximação com o PT
Em um dos trechos mais contundentes da entrevista, Ciro Nogueira descartou totalmente qualquer possibilidade de aliança com o PT, mesmo em cenário regional, e reafirmou fidelidade a Jair Bolsonaro.
“Eu não estarei, até o último dia da minha vida, com a esquerda no nosso País. Eu não vou trair o presidente Bolsonaro”, declarou. O senador lembrou que já foi aliado de Lula e Dilma, mas disse que sua relação com Bolsonaro mudou sua visão: “É um homem pelo qual me apaixonei pelo seu trabalho, pelo que representa.”
Críticas ao Governo Lula e à atuação do Supremo
O senador também comentou a relação do PP com o Governo Federal, destacando que a sigla deixou a base por pressão da militância e da bancada. Sobre o ministro do Esporte, André Fufuca, que permaneceu no cargo mesmo após o rompimento, Ciro foi incisivo: “Ele perdeu o comando do partido no Maranhão. Todas as sanções possíveis nós tomamos. Ele que siga o caminho dele.”
Questionado sobre a possibilidade de impeachment de ministros do STF — pauta que tem mobilizado setores da direita — Ciro evitou embarcar no discurso: “Isso não deve ser bandeira política. Acho que o Supremo tem que dar um passo atrás e voltar a falar nos autos.”