A possibilidade do corte do adicional de insalubridade de profissionais readaptados ou remanejados por motivos de saúde no Hospital de Urgência de Teresina ( HUT ) gerou uma onda de denúncias e mobilizou o Sindicato dos Enfermeiros, Auxiliares e Técnicos de Enfermagem do Piauí ( SENATEPI ). A entidade realizou, nesta quinta-feira (27), um ato público em frente ao hospital para protestar contra o que classifica como “perseguição institucional” e retirada de direitos.

Entre os afetados está o técnico de enfermagem Marcus Vinicius, que em conversa com o GP1 , afirmou ter sido mudado de setor mesmo possuindo laudo médico que recomenda redução de esforço físico devido à síndrome do túnel do carpo bilateral, epicondilite e bursite. Segundo ele, além de desconsiderar suas limitações, a direção de enfermagem determinou o corte de sua insalubridade e negou, por duas vezes, pedidos de transferência para setores adequados à sua condição. “É a primeira vez em quase 20 anos que vemos algo assim. Estamos sendo perseguidos. Minha readaptação dizia claramente que eu não deveria ser colocado em setores de esforço braçal, e mesmo assim me remanejaram. É decepcionante”, afirmou.

Foto: GP1
Profissionais denunciam perseguição e corte de insalubridade no HUT

O presidente do SENATEPI, Erick Ricelly , reforçou que a decisão atinge profissionais que já trabalhavam em setores compatíveis com suas readaptações e que agora enfrentam perda salarial significativa, já que o adicional de insalubridade representa, em média, R$ 380 a R$ 390 do vencimento mensal. Ele afirma que a medida viola o estatuto do servidor, que garante a irredutibilidade da remuneração. “Estamos vendo um ataque direto a trabalhadores que, justamente por estarem doentes, deveriam receber atenção e acolhimento. Cortar a insalubridade dessas pessoas é desumano. Se essa decisão persistir, a categoria está disposta a adotar todas as medidas necessárias, inclusive paralisação”, disse.

O sindicato alerta que a lista de profissionais afetados, composta exclusivamente por trabalhadores do HUT neste primeiro momento, pode ultrapassar 200 nomes, número considerado expressivo e capaz de provocar impactos severos no funcionamento do hospital, especialmente no fim do ano, período de aumento da demanda e redução de efetivo. Para a entidade, a ação pode ser apenas um “teste” para futuras expansões a outras unidades da rede pública.

Outro lado

Procurada pelo GP1 , a assessoria de comunicação da Fundação Municipal de Saúde não se posicionou até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

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