O Conselho Regional de Medicina do Piauí (CRM-PI) está preparando um diagnóstico das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Teresina, que deve ser apresentado ao prefeito Sílvio Mendes (União Brasil) e aos órgãos de controle para a adoção das devidas providências. Nessa fase de fiscalizações, o CRM identificou irregularidades em diversas unidades, a maioria relacionada à falta de medicamentos e insumos.
Segundo o CRM-PI, em outubro foram fiscalizadas 21 UBSs da capital, quase todas apresentando problemas. De acordo com a entidade há uma escassez quase generalizada de medicamentos psicotrópicos, anti-hipertensivos, antiparasitários, sulfato ferroso para gestantes e sinvastatina. As canetas de insulina também não atendem a grande demanda.
Entre as unidades vistoriadas em outubro, estão a UBS Dep. Alberto Monteiro (povoado Soinho), UBS Dr. Helvídio Ferraz (Todos os Santos), UBS Marlene de Moura Fé (Parque Ideal), UBS Dr. Manoel Ayres (Parque Wall Ferraz), UBS Dr. Antônio Benício Freire e Silva (Santa Maria), UBS Antônio Noronha de Pessoa Filho (Parque Brasil) e UBS Dr. Mariano Mendes (Monte Alegre).
Em algumas UBSs foram identificados problemas na estrutura física, como na UBS Dep. Alberto Monteiro, cuja estrutura física da fachada está deteriorada e janelas e portas estão cobertas com papelão. Além disso, em praticamente todas as unidades há falta de material para exames de citologia, com os kits em falta ou incompletos.
Os dados levantados pelo CRM-PI serão encaminhados ao prefeito, ao Ministério Público do Estado e ao Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI).
Outro lado
O GP1 entrou em contato com o prefeito Sílvio mendes na manhã desta sexta-feira (7), questionando sobre a situação identificada pelo CRM-PI e quais as providências a serem adotadas, mas não obteve retorno até a publicação da matéria. Já a Fundação municipal de Saúde (FMS) encaminhou nota, alegando que os problemas ainda são herança da gestão de Dr. Pessoa.
Leia a nota na íntegra:
A Fundação Municipal de Saúde (FMS) comunica que a nova gestão recebeu a rede de saúde em estado de caos, com uma situação grave, no mês de janeiro deste ano, com registro de problemas estruturais, organizacionais e falta de medicamentos e insumos básicos. Diante disso, o prefeito Sílvio Mendes decretou estado de emergência na saúde, ação amplamente divulgada.
Considerando essa situação crítica, foram criados planos de ação a curto, médio e longo prazo, priorizando as situações mais urgentes.
Em relação às 91 UBS, a Diretoria de Atenção Básica e sua equipe técnica têm atuado incessantemente, indo in loco para resolver os problemas, e têm registrado avanços nas unidades de forma gradativa.
Entre os avanços, destacam-se: Pequenas reformas realizadas em diversas UBS; Implantação do projeto Telenordeste, que permite acesso remoto a médicos especialistas por chamada de vídeo; Instalação de QR Codes nas unidades para consulta transparente sobre a disponibilidade e indisponibilidade temporária de medicamentos; Parceria com a Secretaria de Justiça para reformas em UBS utilizando mão de obra da população carcerária com recursos do Ministério da Saúde; Implantação de telelaudo para agilizar resultados de eletrocardiograma em até 24h; Reabertura de 21 consultórios odontológicos, 8 farmácias e 11 salas de vacina e Início de reparos estruturais permanentes, em andamento, diante do estado crítico de deterioração das unidades.
Quanto à falta de alguns medicamentos, foi iniciada uma requisição administrativa para garantir o abastecimento emergencial da rede. Embora alguns fatores tenham impactado a entrega de determinados itens, medidas corretivas foram adotadas. Estão em andamento processos de licitação regular e aquisições emergenciais para normalizar o fornecimento.
A equipe técnica da FMS segue mobilizada, trabalhando diariamente para superar os desafios e fortalecer a atenção básica no município.