O empresário Altair Ricardo Marques Coutinho , proprietário da imobiliária R. Coutinho, acusado de aplicar golpes por meio de contratos de compra e venda de imóveis em Teresina, foi posto em liberdade no último dia 14 de novembro com a utilização de tornozeleira eletrônica.

Segundo a investigação, ele adquiria imóveis, alegando que estavam quitados, ou firmava contratos com valores previamente estipulados. Em seguida, ele vendia o mesmo bem para outras pessoas, recebendo o pagamento integral e garantindo que a documentação estava regularizada, entretanto, posteriormente as vítimas descobriam que os imóveis possuíam dívidas pendentes e não haviam sido quitados como prometido.

Foto: Reprodução
Altair Ricardo Marques Coutinho

Uma das vítimas, Rayanne de Oliveira, procurou o GP1 e afirmou que Ricardo Coutinho chegou a fazer um acordo, prometendo pagar o que havia sido repassado para ele, no entanto, ele não cumpriu e em seguida acabou sendo preso.

“Eu faço parte de um grupo com 25 vítimas que também sofreram o golpe aplicado por ele. Até hoje, ele não pagou ninguém. Chegou a firmar acordo com cinco pessoas, mas não cumpriu, acabou sendo preso, ficou dois meses detido e agora foi solto. Mesmo assim, segue afirmando que não vai pagar ninguém, como se tudo fosse ficar por isso mesmo. Estamos tentando, de alguma forma, dar visibilidade ao caso para que a Justiça o responsabilize novamente. Quando ocorreu a audiência relacionada à vítima que motivou a prisão dele, foi dito que se tratava de um caso isolado, como se não houvesse outras vítimas, mas existem sim. Já identificamos mais de 25 pessoas lesadas e há risco de haver ainda mais, pois quase todos os dias aparece alguém descobrindo que também foi enganado”, descreveu Rayane.

Vítima acumula mais de R$ 60 mil em prejuízo

“No meu caso, houve dois problemas graves. O primeiro foi em relação a uma casa pela qual paguei R$ 16.500. Ele me levou para ver o imóvel, mas depois descobri que a casa não existia. O contrato da Rivelo que ele me apresentou era falso. Ele falsificou a assinatura como se fosse o proprietário da empresa. Ou seja, o contrato era fraudado e o imóvel, simplesmente, não existia. O segundo caso envolve uma outra casa, que existe e está registrada no meu nome. A negociação era para ser uma permuta, a troca dessa casa por outra. Em vez de fazer a permuta, ele vendeu a minha casa por R$ 23 mil, recebeu o valor integral e, até hoje, eu nunca vi nenhum centavo dessa venda. Agora estamos na Justiça para tentar reaver essa casa e reparar todo o prejuízo que ele causou. A outra casa é justamente a que eu moro atualmente. Ele omitiu completamente a existência dos débitos. Quando fomos verificar, havia mais de R$ 20 mil em dívidas que nem a Caixa tinha executado ainda. Por pouco a Caixa não tomou a casa. Nós tivemos que desembolsar dinheiro para quitar parte desses débitos, porque estávamos correndo o risco real de perder o imóvel e sermos despejados”, explicou Rayanne Oliveira.

Ficha criminal

De acordo com a Polícia Civil, Ricardo Coutinho possui extenso histórico criminal, com 39 procedimentos registrados em seu nome, sendo 10 inquéritos policiais relacionados a crimes de estelionato.

Sem anúncio no momento

Ricardo Coutinho havia sido preso em flagrante em junho deste ano, acusado da prática criminosa. No dia 13 de agosto, ele foi indiciado pela Polícia Civil por crime de estelionato contra um casal, aplicado através da intermediação da venda de um apartamento situado no bairro Verdecap, zona sudeste de Teresina.

Em 04 de setembro voltou a ser preso e, atualmente, responde um dos processo em liberdade.