A situação do transporte escolar na comunidade do Riachão, zona rural de Itainópolis, revelou um quadro alarmante de negligência que coloca em risco a vida de estudantes e idosos, além de ameaçar o direito fundamental à educação. Os relatos da comunidade são estarrecedores: minivans superlotadas transportando jovens do ensino médio do CETI Mariano Borges Leal e idosos do programa de alfabetização em condições desumanas, com estudantes em pé, sentados no colo uns dos outros, pessoas curvadas sem espaço para se mover - um cenário que mais parece transporte de gado do que serviço público educacional.
A movimentação do motorista é visivelmente prejudicada pela lotação extrema, aumentando o perigo nas estradas vicinais da região. Esta não é apenas uma questão de conforto, mas de segurança pública, onde a cada curva e buraco nas estradas precárias, vidas estão sendo colocadas em risco desnecessário. O ofício de denúncia encaminhado ao Secretário de Educação Washington Bandeira expõe uma realidade que não pode mais ser ignorada pelas autoridades competentes.
A comunidade é categórica ao apontar o momento exato da deterioração: quando o Estado transferiu a responsabilidade do transporte escolar para o município. Esta decisão, que deveria representar descentralização eficiente, transformou-se em verdadeiro abandono dos estudantes da zona rural. Antes da transferência, mesmo com limitações, havia padrão mínimo de atendimento; após a municipalização, houve retrocesso sistemático e deliberado, com o Estado criando um vácuo de responsabilidade ao repassar obrigações sem garantir recursos adequados ou fiscalização efetiva.
O impacto vai além do desconforto físico, pois estudantes estão ameaçando abandonar os estudos devido às condições degradantes do transporte. Este alerta vermelho deveria mobilizar imediatamente todas as esferas de governo, já que quando o acesso à educação se torna experiência traumática e perigosa, a sociedade falha em sua missão fundamental. A transferência mal planejada para o município está literalmente expulsando jovens da escola, criando uma geração de excluídos educacionais na zona rural piauiense.
É inadmissível que estudantes e idosos sejam transportados como animais em pleno século XXI - veículos adequados, seguros e com capacidade suficiente devem ser disponibilizados através de recursos estaduais emergenciais ou intervenção direta da SEDUC, já que o serviço era considerado melhor quando era responsabilidade do Estado. Medidas emergenciais incluem ampliação da frota e reorganização de horários para reduzir superlotação.
É fundamental que seja revista urgentemente a política de transferência do transporte escolar para municípios, estabelecendo critérios rígidos, recursos garantidos e fiscalização efetiva antes de qualquer repasse de responsabilidade.
Vídeo mostra situação dos ônibus
Na semana passada, o GP1 noticiou denúncia da situação dos ônibus responsáveis pelo transporte escolar dos estudantes no Município. Veja:
Outro lado
Procuradas pelo GP1 , a secretaria de Educação do Piauí (Seduc-PI) e o prefeito de Itainópolis, Miguel Rodrigues, não se pronunciaram sobre o assunto.