A Delegacia Especializada de Crimes Contra a Ordem Tributária, Econômica e Contra as Relações de Consumo (DECCOTERC), da Polícia Civil do Piauí , indiciou a empresária Ana Patrícia Veloso dos Santos por crime de estelionato. Ela é acusada de usar nomes de políticos, desembargadores e pessoas influentes para aplicar golpes diversos contra vítimas que buscavam sua empresa, a Ativos Assessoria , para obter benefícios dos programas de financiamento Minha Casa, Minha Vida, FIES e Giro Caixa, do Governo Federal.
O relatório de indiciamento foi assinado pela delegada Marcela Sampaio Lira, no último dia 03 de julho deste ano.
As investigações tiveram início com objetivo de apurar a prática de reiterados crimes de estelionato, supostamente perpetrados por meio da empresa de fachada denominada “Ativos Assessoria”. Com artifícios fraudulentos, Ana Patrícia se apresentava como intermediadora qualificada para acesso a programas sociais do Governo Federal, como FIES, Minha Casa Minha Vida e GIRO CAIXA, bem como financiamentos junto à Caixa Econômica Federal.
Vítima do FIES
Uma das vítimas, que procurou a DECCOTERC, informou que conheceu Ana Patrícia Veloso por indicação de uma amiga e ela prometeu viabilizar, mediante pagamento de R$ 20 mil, a transferência de sua sobrinha para uma instituição de ensino superior em Teresina, via programa FIES. A vítima pagou, de forma parcelada, R$ 14.000,00 via PIX e R$ 1.300,00 a título de inscrição no Minha Casa Minha Vida, no entanto, nenhum dos serviços foi efetivamente prestado. Após ser alertada por um ex-funcionário da investigada sobre o golpe, a vítima tomou ciência de que Ana Patrícia já havia sido conduzida à Central de Flagrantes por situações semelhantes.
O GP1 obteve acesso ao áudio em que Ana Patrícia afirma que garantiria o FIES proposto por ela e que a vítima poderia ficar tranquila:
Empresária usava nomes de ministro, delegado e deputado
Para obter sucesso na empreitada criminosa, Ana Patrícia Veloso dos Santos enganou até mesmo seu funcionário, que prestava serviço em seu escritório, localizado em frente a uma agência da Caixa Econômica Federal na zona leste de Teresina.
Contratado por Ana Patrícia para trabalhar como auxiliar administrativo, logo o funcionário identificou que ela agia de forma fraudulenta. Ela se apresentava como influente, dizendo-se esposa de delegado, sobrinha de desembargador e ameaçava os credores. O agora ex-funcionário confirmou ter pago a ela R$ 300,00 para obter supostos benefícios habitacionais e ainda emprestou a quantia de R$ 4.000,00 à investigada, mas ao todo, seu prejuízo total chegou a R$ 12 mil.
Outras duas vítimas, mãe e filho, ouvidos pela Polícia Civil revelaram o modus operandi da Ana Patrícia Veloso, que se apresentou como afilhada de Wellington Dias e, também afirmou que o delegado Matheus Zanatta , do alto escalão da Secretaria de Segurança Pública do Piauí, era padrinho de sua filha.
Acreditando nos vínculos de Ana Patrícia com políticos influentes e altos membros do Poder Judiciário, a mulher a contratou para obter 10 casas pelo Programa Minha Casa Minha Vida. Ela efetuou pagamentos de cerca de R$ 10 mil, parte em PIX e parte em espécie, mas a investigada, por sua vez, lhe entregou formulários com timbre da Caixa Econômica Federal, falsificados, e quando foi questionada pela vítima, Ana Patrícia se esquivou.
O filho da vítima também caiu no golpe. Para ele, Ana Patrícia afirmou ter parceria com o deputado Severo Eulálio , além de citar mais uma vez o ministro Wellington Dias e o delegado Matheus Zanata.
Confiando na engenharia social apresentada pela empresária, ele acabou efetuando pagamentos que totalizaram R$ 33 mil, incluindo a entrega de um iPhone 15 Pro Max. Assim como as demais pessoas que integram o rol de vítimas, não houve nenhuma contraprestação dos serviços ofertados por Ana Patrícia.
Para a Polícia Civil, todos os relatos convergem no sentido de que Ana Patrícia se utilizava de engenharia social e falsas conexões com figuras públicas para obter vantagem ilícita, utilizando-se de um escritório físico, localizado na Avenida Dom Severino, que, atualmente, encontra-se desativado. A investigada ocultou documentos, orientou a retirada de fichas e celulares do local, e nomeou falsos representantes legais para remover os bens da empresa.
Outros três indiciamentos
No relatório final encaminhado ao Ministério Público, a delegada Marcela Sampaio Lira ratificou que Ana Patrícia Veloso já foi indiciada em outros três inquéritos policiais, os quais geraram processos criminais, o que reforça a habitualidade na prática de crimes de estelionato, de forma reiterada.
Empresária foi presa na zona leste de Teresina
Ana Patrícia Veloso foi presa pelos policiais da Delegacia de Crimes contra a Ordem Tributária, Econômica e Relações de Consumo (DECCORTEC), no dia 26 de junho, acusada de aplicar um golpe R$ 190 mil para concessão do financiamento de uma graduação pelo FIES a uma estudante de Picos que pretendia ingressar no curso de Medicina na Uninovafapi, em Teresina.