Na manhã desta quinta-feira (18), o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) deflagrou a Operação Extrema Confiança , cumprindo sete mandados de busca em endereços ligados aos sócios e a uma secretária do empresário Francisco das Chagas Chaves da Silva , dono do “Pagode do Chico” e da empresa "Xtreme Trader", em Teresina (PI) e Timon (MA).

Um dos mandados foi cumprido no bairro Parque Alvorada, zona norte de Teresina, na residência de um dos sócios da empresa. Segundo o delegado Luciano Alcântara, do GAECO, o principal objetivo da operação é apurar o envolvimento de pessoas ligadas direta ou indiretamente ao alvo principal.

Foto: Reprodução/Instagram
Francisco das Chagas Chaves da Silva

“Chegamos aos mandados de busca para colher informações, buscar documentos, buscar elementos de informação que pudessem tirar a dúvida se há ou não associação e a participação de outras pessoas”, explicou Alcântara.

Segundo a promotora Lenara Porto, coordenadora do Gaeco, os alvos da operação envolvem diferentes níveis de ligação com a empresa investigada. “Tem pessoas que se apresentavam como sócios, outras que se diziam funcionárias, além de pessoas que atuavam como ‘faz-tudo’. Há também alvos que eram responsáveis por captar clientes, por exemplo. Encontramos ainda casos de indivíduos que assinavam como sócios da empresa, mas que, ao serem ouvidos, negaram essa condição”, explicou.

O nome da operação faz referência à confiança que as vítimas depositavam na empresa Xtreme Trader ao investir valores significativos, na expectativa de obter rendimento de 1% a 10% sobre seus aportes. “O que nós sabemos é que as cifras são bilionárias, de investimentos e aportes que foram feitos pelas vítimas. Elas repassaram todo o dinheiro que tinham acumulado na vida para essa empresa, e ele alegava que daria um rendimento de 1% até 10% para essas vítimas. Temos a informação de que, no final de junho, esses rendimentos já tinham sido parados, e, no final de junho, ele desaparece. Então, o prejuízo também é de cifra milionária, e as vítimas estão com prejuízos significativos”, afirmou o delegado Alcântara.

Prejuízo às vítimas

Até o momento, a investigação identificou um prejuízo milionário, mas o valor exato ainda depende da conclusão da oitiva de todas as vítimas “Nós temos, até o momento, informações de que as cifras dos prejuízos que as vítimas sofreram realmente somam um prejuízo milionário. É um trabalho de coleta de informações e de comprovação daquilo que elas alegam com relação aos valores que foram aportados na Xtreme. Então, esse valor eu só posso dizer que é milionário, isso já temos certeza, mas a quantidade, só ao final da investigação vamos poder afirmar com certeza", declarou Luciano Alcântara.

Sem anúncio no momento

O número de vítimas envolvidas é superior a 300 pessoas, com cerca de 130 a 135 boletins de ocorrência registrados. A maioria reside em Teresina, enquanto outras estão concentradas em Timon, onde funcionava a sede da empresa no Shopping Cocais.

“Nós temos aproximadamente mais de 300 vítimas, porém, foram registrados boletins de ocorrência até agora em torno de 130 a 135 vítimas. Temos algumas vítimas no estado do Maranhão, e a maioria das vítimas está na cidade de Teresina. No estado do Maranhão, as vítimas se concentram na cidade de Timon, e inclusive a sede da Xtreme ficava no Shopping Cocais em Timon. Mas a investigação corre por aqui, é feita em Teresina. Há informações também sendo coletadas em depoimentos na cidade de Timon, Maranhão, mas os pedidos que fizemos hoje referem-se somente à nossa investigação”, concluiu Alcântara.

Investigação

A investigação teve início na Delegacia Especializada de Crimes Contra a Ordem Tributária, Econômica e Contra as Relações de Consumo – DECCOTERC – com abertura de procedimento para apurar denúncia de um golpe milionário contra cerca de 300 vítimas que foram lesadas contra Francisco das Chagas Chaves da Silva. Posteriormente, o delegado geral Luccy Keiko designou o delegado Luciano Alcântara, do Gaeco para conduzir as investigações.

Conforme as denúncias, ele oferecia propostas de aplicações financeiras, através da empresa Extreme, com lucro de 10% na bolsa de valores. Dentre as vítimas há empresários, servidores públicos, advogados e profissionais liberais.

Depoimento

O trader e empresário identificado como Francisco das Chagas Chaves da Silva, suspeito de cometer golpe financeiro em mais de 300 vítimas no Piauí e Maranhão, prestou depoimento à Polícia Civil, de forma online, após ter sido apresentado por seu advogado no último dia 1º de julho de 2025. A Coluna do jornalista Brunno Suênio apurou que ele está fora do país e teme por represálias.

Uma das vítimas, uma servidora pública federal, relatou que teve um prejuízo de cerca de R$ 60 mil. Ela contou que era amiga de Francisco das Chagas e que passou a realizar investimentos com ele no ano de 2023, sempre com retorno de 10% das aplicações que fazia por meio da empresa Extreme, criada no ano de 2022. “A empresa dele existe desde 2022 e sempre deu muito certo. Então, não havia motivos para desconfiar até então. A gente entrou no projeto, confiou e acreditou, e assim foram mais clientes também. A gente fazia a transferência para conta da empresa, através de Pix, e ele fazia operações financeiras, investimentos na Bolsa de Valores com o nosso capital, com a garantia de lucro de 10% ao mês. Esses 10%, ele passava para o cliente e o restante era dele”, disse a vítima.

Estelionato qualificado e associação criminosa

A investigação, conduzida pelo delegado Luciano Alcântara, que foi designado, em caráter especial pela Delegacia Geral da Polícia Civil do Piauí, está apurando a suposta prática dos crimes de estelionato qualificado e associação criminosa, tendo em vista que há outros atores que surgiram dentro da investigação e que podem estar operando em conjunto com Francisco das Chagas Chaves da Silva. Medidas cautelares em desfavor do acusado não estão descartadas.