O GP1 obteve com exclusividade os nomes dos alvos da Operação Extrema Confiança , deflagrada nessa quinta-feira (18), que cumpriu sete mandados de busca em endereços ligados aos sócios e a uma secretária do empresário Francisco das Chagas Chaves da Silva , proprietário do “Pagode do Chico” e da empresa Xtreme Trader, com atuação em Teresina (PI) e Timon (MA). Foram alvos da operação Elison Kinin, Igor Silva, Joselito e Josué.

A ação foi coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), com foco na apuração do envolvimento de pessoas direta ou indiretamente ligadas ao empresário. Um dos mandados foi cumprido no bairro Parque Alvorada, zona norte de Teresina, na residência de um dos sócios da empresa.

Foto: Reprodução
Francisco das Chagas Chaves da Silva, Elison Kinin, Igor Silva, Joselito e Josué

Detalhes da operação

De acordo com o delegado Luciano Alcântara, responsável pela investigação, o objetivo principal da operação é reunir documentos e informações que possam esclarecer se há associação criminosa entre os envolvidos. A operação busca identificar a participação de outros indivíduos que possam ter atuado ao lado de Francisco das Chagas na condução das atividades da Xtreme Trader.

O nome da operação faz alusão à confiança depositada pelas vítimas na empresa Xtreme Trader, que prometia rendimentos mensais entre 1% e 10% sobre os valores investidos. Segundo o delegado, os aportes realizados pelas vítimas somam cifras bilionárias. Muitas delas transferiram todo o dinheiro acumulado ao longo da vida para a empresa, acreditando na promessa de retorno financeiro. No entanto, os pagamentos cessaram no final de junho, e o empresário desapareceu, deixando prejuízos milionários.

Até o momento, a investigação já confirmou que os prejuízos ultrapassam a casa dos milhões, embora o valor exato ainda dependa da conclusão dos depoimentos das vítimas. O delegado Luciano Alcântara afirmou que o trabalho de coleta de provas está em andamento e que os números finais só serão divulgados ao término da apuração. A equipe busca comprovar os valores alegados pelas vítimas, que variam conforme os relatos individuais.

Foto: Lucas Dias/ GP1
Delegado Luciano Alcântara

Mais de 300 vítimas

Mais de 300 pessoas foram lesadas, segundo estimativas da Polícia Civil, sendo que cerca de 130 a 135 vítimas já registraram boletins de ocorrência. A maioria dos investidores está concentrada em Teresina, mas há também um número significativo de vítimas em Timon, onde funcionava a sede da empresa, localizada no Shopping Cocais. A investigação está sendo conduzida a partir de Teresina, com apoio de depoimentos colhidos em Timon.

Sem anúncio no momento

A apuração teve início na Delegacia Especializada de Crimes Contra a Ordem Tributária, Econômica e Contra as Relações de Consumo (DECCOTERC), após denúncias de um golpe milionário envolvendo a empresa Xtreme Trader. Posteriormente, o delegado geral Luccy Keiko designou o delegado Luciano Alcântara, do GAECO, para assumir o caso. A investigação aponta que Francisco das Chagas oferecia aplicações financeiras com promessa de lucro de até 10% ao mês, supostamente obtido por meio de operações na Bolsa de Valores.

Entre os investidores estão empresários, servidores públicos, advogados e profissionais liberais. Uma das vítimas, servidora pública federal, relatou ter perdido cerca de R$ 60 mil. Ela afirmou que conhecia Francisco pessoalmente e começou a investir em 2023, atraída pela promessa de retorno mensal de 10%. Os pagamentos eram feitos via Pix para a conta da empresa, e os lucros eram repassados mensalmente, até que os depósitos cessaram.

Empresário está fora do Brasil

Francisco das Chagas prestou depoimento à Polícia Civil de forma online, após ser apresentado por seu advogado no dia 1º de julho de 2025. Segundo informações apuradas pela coluna do jornalista Brunno Suênio, o empresário está fora do país e teme represálias. A Polícia Civil ainda não confirmou oficialmente sua localização, mas investiga possíveis conexões internacionais que possam estar relacionadas ao caso.

A investigação apura os crimes de estelionato qualificado e associação criminosa. Há indícios de que outros indivíduos atuaram em conjunto com Francisco das Chagas, o que pode ampliar o número de envolvidos no esquema. Medidas cautelares contra o empresário e seus associados não estão descartadas, conforme informou o delegado Luciano Alcântara.

A operação ainda foca na coleta de documentos, depoimentos e demais elementos que possam comprovar a prática dos crimes. A expectativa é que, com o avanço das investigações, seja possível identificar todos os responsáveis e dimensionar com precisão os prejuízos causados às vítimas.