O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) ofereceu denúncia contra o empresário Marcus Vinícius Veloso Nogueira , dono da Marvin Veículos , e outras 16 pessoas acusadas de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro para o Bonde dos 40 em Teresina. O grupo é suspeito de ligação com Alandilson Cardoso Passos , namorado da vereadora afastada Tatiana Medeiros (PSB) e apontado como uma das lideranças da facção.
Foram denunciados, além de Marcus Vinícius: Pedro Teixeira Soares Neto, Deivison José Santos Lima, Carla Bianca Silva Lima, Israel Boanerges Ribeiro de Sousa, Pedro Paulo Borges dos Santos, Nataniel Ferreira Lima, Raimundo Nonato da Silva Sousa Filho, João Batista Fernandes Leal Filho, Stefanny Felicienny Silva Nascimento, Helder Hill de Figueiredo Soares, Poliana Bezerra da Silva, Laecio Alves de Sousa e Rodolfo de Araújo Moura, além dos empresários Eliésio Marinho da Silva, Rômulo Luís de Sousa Soares, e Sávio Ricelli e Silva Monção. A denúncia foi ajuizada no dia 24 de outubro de 2025 pelo promotor de Justiça Marcelo de Jesus Monteiro Araújo.
Os denunciados foram alvos da Operação Capital Oculto, deflagrada pelo Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) da Polícia Civil do Piauí. O inquérito foi instaurado após a identificação de movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica dos investigados
Segundo a denúncia, Alandilson Cardoso, juntamente com Leonardo Oliveira da Costa, o “Léo Gordinho”, estruturou uma rede empresarial voltada à dissimulação de recursos ilícitos provenientes do tráfico de drogas e de outras atividades criminosas.
O grupo utilizava pessoas físicas e jurídicas como laranjas, além de empresas de fachada registradas em nome dos denunciados, mas sem atividade comercial real, muitas delas localizadas em endereços residenciais, terrenos baldios ou estabelecimentos incompatíveis com o objeto social declarado.
Todo o esquema foi desvendado com base em Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) e cruzamento de dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
“Constatou-se a existência de uma organização criminosa hierarquizada e ramificada, que atuava de forma estruturada na movimentação e lavagem de valores oriundos de ilícitos penais, notadamente o tráfico de entorpecentes e crimes financeiros. Essa estrutura criminosa utilizava empresas fictícias ou de fachada para conferir aparência de legalidade às movimentações, integrando e dissimulando valores ilícitos no sistema financeiro nacional”, destacou o representante ministerial.
Marvin Veículos
De acordo com a denúncia, o empresário Marcus Vinícius, dono da Marvin Veículos, foi delatado como membro do Bonde dos 40 e teria vínculo direto com Valdeci da Silva, Lima, o Brizola, liderança da facção na zona norte da capital.
“Existem diversos Boletins de Ocorrências contra Marcus Vinícius, dentre eles, 13 procedimentos de estelionato (crime antecedente), que reforçam a habitualidade criminosa e a utilização de meios fraudulentos para obter recursos ilícitos a serem ‘lavados’ pela facção”, frisou o promotor Marcelo de Jesus.
Além disso, ele realizou movimentações financeiras suspeitas na ordem de R$ 782 mil. As transferências feitas por Marcus Vinicius para a conta de Deivison José Santos Lima (outro operador do esquema) foram fragmentadas em 36 lançamentos.
Núcleos
Os relatórios técnicos de análise financeira evidenciaram que o grupo operava de forma profissionalizada e com divisão de funções. Alguns eram responsáveis pela movimentação bancária e outros pela abertura e manutenção de empresas de fachada.
Essa estrutura organizada, segundo o MP, permitia o reinvestimento dos lucros ilícitos em atividades aparentemente lícitas, como o comércio de veículos e o mercado imobiliário, mascarando a origem dos recursos.
Núcleo financeiro e de lavagem de dinheiro
Esse grupo reúne os denunciados apontados como operadores centrais da movimentação financeira, responsáveis por ocultar e dissimular a origem dos recursos ilícitos, fragmentar valores e realizar transferências recorrentes entre contas. São eles: Carla Bianca Silva Lima, Deivison José Santos Lima, Eliésio Marinho da Silva, Rômulo Luís de Sousa Soares e Nataniel Ferreira Lima.
Núcleo empresarial e de empresas de fachada
Formado por denunciados que figuravam como sócios, administradores ou proprietários formais de empresas utilizadas para dar aparência de legalidade aos recursos ilícitos, muitas vezes sem atividade real compatível com o objeto social: Eliésio Marinho da Silva, Deivison José Santos Lima, Rômulo Luís de Sousa Soares, Pedro Paulo Borges dos Santos, Raimundo Nonato da Silva Sousa Filho, Rodolfo de Araújo Moura e Marcus Vinícius Veloso Nogueira.
Núcleo de intermediação, pulverização e “laranjas”
Composto por denunciados que atuariam como facilitadores, intermediários ou titulares de contas utilizadas para fragmentação de valores, rápida evasão de recursos e ocultação do destino final do dinheiro: Pedro Teixeira Soares Neto, Pedro Paulo Borges dos Santos, Laecio Alves de Sousa, Helder Hill de Figueiredo Soares, Sávio Ricelli e Silva Monção e Stefanny Felicienny Silva Nascimento.
Núcleo de fraudes bancárias e obtenção de crédito
Voltado à utilização de empresas de fachada e contatos internos em instituições financeiras para obtenção fraudulenta de crédito e ampliação de limites bancários. João Batista Fernandes Leal Filho seria o responsável por essa atividade no esquema.
Núcleo de beneficiários diretos e apoio à facção
Reúne denunciados apontados como destinatários finais de valores ilícitos ou como responsáveis por aportar recursos e apoio financeiro à facção criminosa, com vínculo direto com a liderança: Poliana Bezerra da Silva e Israel Boanerges Ribeiro de Sousa.
Diante dos fatos, o promotor de Justiça denunciou os 17 investigados pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Outro lado
O empresário Marcus Vinícius e os demais denunciados não foram localizados para comentar o caso.