Um gato-mourisco, espécie considerada em extinção, foi resgatado na tarde dessa terça-feira (24) em estado bastante debilitado próximo a uma rodovia estadual na cidade de Castelo do Piauí. O animal, uma fêmea jovem, apresentava desidratação severa, mucosas pálidas, escore corporal 3 e quadro de estupor (inconsciência profunda).
A ONG “Abrace essa Causa”, que atua em prol da proteção dos animais, acolheu a felina logo após o resgate e acionou a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos ( Semarh ) e o Batalhão de Polícia Ambiental . Logo depois, o animal foi transferido para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), onde recebe os cuidados necessários.
Segundo Danielle Melo, gerente de Fauna e Proteção da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semarh), atualmente, no Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), mais de 150 animais silvestres estão em tratamento e, assim como eles, o gato-mourisco aguarda o processo de recuperação para possível reinserção na natureza. “No momento, o animal apresenta comportamento ‘manso’, o que pode estar associado ao estado clínico debilitado. Apesar da gravidade inicial, ela responde bem ao tratamento e segue em recuperação”, afirmou a gerente.
Popularmente chamado de jaguarundi, gato-vermelho ou gato-mourisco, a espécie Herpailurus yagouaroundi é nativa das Américas, tem hábitos diurnos e solitários e está na Lista Vermelha do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), na classificação de ameaça de extinção. O animal prefere florestas e evita áreas urbanas, mas tem enfrentado a fragmentação do habitat com o desmatamento, além dos riscos da caça ilegal e de atropelamentos.
Conforme Danielle Melo, é necessário que a população colabore com os órgãos ambientais para a preservação da fauna e, especialmente, no cuidado com os animais silvestres. “Cada resgate representa uma chance de preservar nossa biodiversidade. O apoio da população é fundamental, tanto para acionar os órgãos competentes quanto para evitar práticas que coloquem esses animais em risco. O CETAS realiza um trabalho técnico essencial para garantir que esses animais tenham condições reais de voltar ao seu habitat natural”, destacou.