As empresas estatais brasileiras registraram déficit de R$ 4,9 bilhões em janeiro, conforme dados divulgados nesta sexta-feira (27) pelo Banco Central do Brasil . O resultado em apenas um mês se aproxima do rombo acumulado ao longo de quase todo o ano de 2025, que somou R$ 5,1 bilhões.
O levantamento não inclui grandes empresas federais, como a Petrobras e a Eletrobras, esta última privatizada, que deixaram de integrar o indicador em 2009 após adotarem modelo de governança semelhante ao de companhias de capital aberto.
Embora o Banco Central não detalhe quais estatais apresentaram prejuízo, a expectativa é de que o maior impacto venha dos Correios, que enfrentam sucessivos resultados negativos e vivem situação financeira mais delicada. O balanço da estatal referente a 2025 deve ser divulgado em março.
O resultado das estatais contrasta com o superávit primário do setor público registrado em janeiro, de R$ 103,7 bilhões, ligeiramente abaixo dos R$ 104,1 bilhões apurados no mesmo mês de 2025. Ainda assim, o desempenho fiscal chama atenção pelo aumento expressivo do prejuízo das estatais, que quase quintuplicou em relação ao mesmo período do ano passado.
O saldo positivo foi puxado principalmente pelo governo federal, que registrou superávit de R$ 87,3 bilhões, além de R$ 21,3 bilhões obtidos por estados e municípios. O conceito de superávit primário considera que as receitas superam as despesas, sem incluir os juros da dívida pública.
No caso das estatais, a lógica é semelhante, levando em conta a arrecadação com serviços e produtos em relação aos custos operacionais. O governo federal argumenta que o resultado negativo reflete aumento de investimentos e pagamento de dividendos, justificando o desempenho mais fraco das empresas.
Em contrapartida, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) apresenta números mais favoráveis ao incluir os lucros de bancos públicos e da Petrobras. De acordo com a pasta, as estatais tiveram ganho líquido de R$ 136,3 bilhões em 2025, alta de 22,5%, com a petroleira respondendo por quase 70% do resultado.
No acumulado de 12 meses, o setor público consolidado registra déficit primário de R$ 55,4 bilhões, o equivalente a 0,43% do Produto Interno Bruto (PIB), o que reforça a pressão fiscal no médio prazo. Quando considerados os juros da dívida, o resultado nominal aponta superávit de R$ 40,1 bilhões em janeiro, mas déficit de R$ 1,086 trilhão em 12 meses, correspondente a 8,05% do PIB.
Os dados da dívida pública também acendem alerta no mercado. A dívida bruta manteve-se em R$ 10,1 trilhões em janeiro, o equivalente a 78,7% do PIB, indicador considerado um dos principais termômetros da confiança dos investidores na capacidade do país de honrar seus compromissos fiscais.
Já a dívida líquida apresentou leve melhora, ao recuar para 65% do PIB, totalizando R$ 8,3 trilhões, com queda de 0,3 ponto percentual em relação ao mês anterior.