O Ministério Público do Piauí , por meio da Promotoria de Justiça de Barro Duro instaurou inquérito civil público para apurar a evolução patrimonial do prefeito de Prata do Piauí, Acelino Mendes de Moura, conhecido como Neto Mendes . A portaria nº 15/2026 foi assinada pelo promotor de Justiça Ari Martins Alves Filho no dia 13 de março e tem como objetivo verificar a compatibilidade entre os bens do gestor e os rendimentos declarados ao longo de seus mandatos. A investigação foi aberta após o recebimento de informações sobre possível crescimento patrimonial incompatível.
O procedimento busca esclarecer dados preliminares relacionados ao padrão de vida do prefeito e à eventual existência de bens não declarados à Justiça Eleitoral. Para isso, foram determinadas diligências como requisição de informações a órgãos públicos, análises documentais, avaliações de imóveis, consultas a bases de dados e solicitação de relatórios financeiros por meios oficiais. A promotoria também requisitou apoio técnico do Centro de Apoio Operacional de Combate à Corrupção (Cacop) e avalia o uso do sistema SNIPER, do Conselho Nacional de Justiça.
A pedido do Ministério Público, a Polícia Civil elaborou um relatório de inteligência sobre o patrimônio do gestor, com base em análises de redes sociais, informações colhidas no município e consultas a bancos de dados. O levantamento identificou que o prefeito possui um veículo Roller T4 XLT AT, ano/modelo 2021, além de utilizar com frequência veículos Toyota Hilux e Toyota SW4, disponibilizados por uma empresa que mantém contrato de locação com a prefeitura.
O relatório também aponta a construção de uma residência de alto padrão na cidade de Prata do Piauí, localizada na Avenida Getúlio Vargas, em frente à praça da Igreja Matriz. Conforme imagens aéreas, o imóvel possui ampla área construída e estrutura com área de lazer e piscina. Além disso, foi identificada uma propriedade rural conhecida como Fazenda Pureza, que teria sido adquirida do ex-prefeito Antônio Parambu, com quem o atual gestor mantém proximidade política e pessoal.
Segundo o Ministério Público, não foram identificadas atividades econômicas adicionais que justifiquem incremento significativo de renda além do cargo público. Em 2020, o prefeito declarou não possuir bens à Justiça Eleitoral e, em 2024, informou patrimônio de R$ 39.924,47. Também não foi possível verificar a renda do gestor junto ao Tribunal de Contas do Estado entre 2021 e 2025. Diante disso, foram expedidos ofícios para avaliação de imóveis pelo CRECI-PI e solicitação de registros imobiliários às serventias locais, com prazo de 15 dias para resposta.
Outro lado
O prefeito Acelino Mendes de Moura foi procurado pelo GP1 , mas não se posicionou sobre o inquérito civil público do Ministério Público. O espaço segue aberto para esclarecimentos.