Estudantes da Universidade Federal do Piauí (UFPI) realizaram uma manifestação na tarde desta quarta-feira (29) no campus de Teresina, em que denunciaram um caso de estupro de vulnerável, no qual uma aluna trancou o curso de graduação para assegurar o cumprimento de medida protetiva contra outro estudante, acusado de cometer o crime. Enquanto isso, o suspeito permaneceu frequentando as dependências da instituição, participando das atividades acadêmicas normalmente, o que gerou revolta nos outros alunos.
O caso foi exposto pelo Movimento de Mulheres Olga Benário do Piauí. Em postagem nas redes sociais, a organização relatou que a vítima foi submetida a violência física, psicológica e sexual cometida por um estudante, identificado pelas iniciais G. A. A. V., discente do curso de Artes da UFPI.
Conforme a denúncia, a vítima está com o curso trancado, pois a instituição de ensino não possui qualquer ferramenta para garantir o cumprimento da medida protetiva nas dependências da universidade. “Ela se afastou da instituição por medo, prejudicando assim integralmente sua formação acadêmica e impossibilitando que dê seguimento a suas atividades rotineiras, e isso por hoje às universidades não possuem nenhuma ferramenta para se fazer cumprir dentro dos seus espaços as medidas protetivas”, diz trecho da nota publicada pelo movimento.
No trecho do boletim de ocorrência publicado pelo Movimento Olga Benário, consta que o crime ocorreu na madrugada do dia 23 de fevereiro deste ano no Centro de Teresina. No exame pericial ao qual a aluna foi submetida, foi constatado os vestígios de ato libidinoso “diverso da conjunção carnal e de conjunção carnal recentes”.
Ao realizarem manifestação na praça de alimentação da UFPI, outros estudantes denunciaram a permanência de G. A. A. V. na universidade, enquanto a vítima permanece afastada. Em nota, a Universidade Federal do Piauí afirmou que chegou a receber a denúncia formal em sua ouvidoria em 16 de março de 2026, e que está sendo acompanhada por uma equipe multiprofissional.
Em sua manifestação, a instituição assegurou que toda a documentação referente ao caso está sendo analisado pelas instâncias competentes para análise e adoção das medidas administrativas cabíveis, como a abertura de processo disciplinar e aplicação de medidas cautelares.
Confira a nota da UFPI na íntegra
A Universidade Federal do Piauí (UFPI) informa que recebeu, por meio de seus canais oficiais de ouvidoria, denúncia formal registrada em 16 de março de 2026, referente a ocorrência de violência física e sexual envolvendo integrantes da comunidade acadêmica.
Desde o momento em que tomou conhecimento dos fatos, a Universidade adotou providências imediatas. A pessoa denunciante está sendo acompanhada por equipe multiprofissional, com suporte psicológico e social, por meio da rede institucional de acolhimento. Paralelamente, toda a documentação foi encaminhada às instâncias competentes para análise e adoção das medidas administrativas cabíveis, incluindo a abertura de processo disciplinar e a implementação de medidas cautelares necessárias à proteção da comunidade acadêmica.
A UFPI reafirma seu compromisso com a integridade, a dignidade e a segurança de todas as pessoas que compõem sua comunidade. A instituição repudia, de forma veemente, qualquer tipo de violência e informa que está colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pela apuração do caso.
Por respeito à legislação vigente e à proteção das partes envolvidas, as identidades serão mantidas em absoluto sigilo.
A Universidade seguirá adotando todas as medidas necessárias, com responsabilidade, rigor institucional e compromisso com a justiça.