O contador de iniciais F.L.F.C., alvo da operação deflagrada nesta quinta-feira (30), que mira um esquema de fraudes em créditos tributários, recebeu R$ 500 mil para intermediar a venda desses créditos a uma empresa de Teresina, que sofreu prejuízo de quase R$ 10 milhões. Uma empresa de Goiânia foi apontada como responsável pela consultoria desses créditos fraudulentos e, ao longo de três anos, recebeu R$ 5.500.000,00 (cinco milhões e quinhentos mil reais) em honorários da vítima.

As informações foram confirmadas ao GP1 pelo coordenador da Superintendência de Operações Integradas (SOI) da Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), delegado Matheus Zanatta. Segundo ele, em 2016, a empresa vítima da fraude buscou adquirir créditos tributários para abatimento de débitos fiscais.

Foto: Lucas Dias/GP1
Delegado Matheus Zanatta

Entretanto, em 2022, a Receita Federal comunicou à empresa que os créditos eram indevidos e fraudulentos, além de aplicar uma multa de R$ 3.500.000,00 (três milhões e quinhentos mil reais).

“Então, nós iniciamos as investigações, uma investigação de um ano e meio, robusta e complexa, em que pedimos as quebras de sigilo bancário e fiscal. Por isso, conseguimos verificar quanto a empresa de Goiânia havia recebido, que foi R$ 5,5 milhões, e quanto esse contador do Piauí havia ganhado, que foi R$ 500 mil”, afirmou Zanatta.

Foto: Alef Leão/GP1
FEISP

Diante disso, a autoridade policial representou pela aplicação de medidas cautelares de busca e apreensão, sequestro de bens e bloqueio, via BacenJud, de ativos financeiros no valor de R$ 10 milhões. Na operação, foram cumpridos 18 mandados judiciais, a maior parte no estado de Goiás, além de diligências na residência do contador e em um escritório comercial localizado no bairro São João, zona leste de Teresina.

Conforme o delegado Matheus Zanatta, a empresa de Goiânia acusada de vender os créditos fraudulentos é bastante conhecida, mas os sócios possuem histórico criminal.

Sem anúncio no momento

“Aqui no Piauí, eles são investigados nesse inquérito policial por estelionato, porque venderam créditos tributários fraudulentos. Também são investigados por lavagem de dinheiro e associação criminosa”, declarou o coordenador da SOI.