O Banco do Nordeste ingressou com uma ação monitória na Justiça do Piauí contra a empresa HD Petróleo Buenos Aires Ltda (Posto HD 06), sediada em Teresina, cobrando uma dívida no valor de R$ 521.324,82, referente a operações de crédito contratadas junto à instituição financeira. A ação, protocolada no último dia 7 de maio, também tem como alvos os avalistas Haran Santhiago Girão Sampaio e Danillo Coelho de Sousa , apontados como responsáveis solidários pela garantia da operação.

De acordo com o processo, a empresa firmou, em março de 2021, uma Cédula de Crédito Bancário no valor de R$ 1 milhão, por meio de limite de crédito rotativo disponibilizado pelo banco. O contrato previa recursos destinados à aquisição de bens, equipamentos, veículos, insumos e mercadorias, com financiamento vinculado ao Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste.

Foto: Reprodução/Instagram/GP1
Haran Santhiago e Danillo Coelho de Sousa

Segundo o Banco do Nordeste, a empresa utilizou o crédito para realizar dois financiamentos: o primeiro, autorizado em maio de 2021, no valor financiado de R$ 802,8 mil, com vencimento final previsto para maio de 2029; e o segundo, autorizado em junho de 2022, no valor de R$ 190,3 mil, com prazo até junho de 2030.

No entanto, conforme a petição, a empresa entrou em inadimplência em 15 de novembro de 2025, o que provocou o vencimento antecipado das obrigações contratuais, conforme cláusula prevista no contrato.

Pedidos

O banco afirma que tentou renegociar o débito, mas não obteve êxito. Diante disso, pediu à Justiça a expedição de mandado de pagamento para quitação integral da dívida no prazo de 15 dias, sob pena de conversão automática da cobrança em título executivo judicial.

Além do pagamento atualizado da dívida, o Banco do Nordeste requer a condenação dos devedores ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios.

Sem anúncio no momento

Caso não haja quitação, a instituição financeira solicita ainda a penhora dos bens dados em garantia fiduciária, além de outros bens que possam assegurar a execução do débito.

Operação Carbono Oculto 86

Os empresários Haran Santhiago e João Revoredo foram alvos da Operação Carbono Oculto 86, deflagrada no dia 5 de novembro de 2025 pela Polícia Civil do Piauí, em conjunto com o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e o Instituto de Metrologia do Piauí (Imepi), para apurar crimes de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e associação contra empresas ligadas ao PCC, entre elas, os postos de combustíveis da Rede HD.

O esquema utilizava uma sofisticada e complexa estrutura de empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para lavar capitais oriundos do crime, de modo que o grupo que operava no Piauí era considerado o “braço financeiro” do PCC no estado.

Segundo o delegado Anchieta Nery, diretor de Inteligência da SSP-PI, os empresários Haran Santhiago Girão Sampaio e Danillo Coelho de Souza, ex-proprietários da Rede HD, venderam a empresa em uma sucessão empresarial considerada fraudulenta.

A Rede HD foi vendida em dezembro de 2023 para a Pima Energia Participações Ltda, que iniciou as atividades seis dias antes da compra da empresa piauiense. A investigação identificou inconsistências patrimoniais, alterações societárias simultâneas e a criação de empresas com endereço na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), sem lastro econômico compatível com os negócios.

Denúncia

O Ministério Público do Estado do Piauí , por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado e da 6ª Promotoria de Justiça de Teresina, ofereceu denúncia contra 12 investigados no âmbito da Operação Carbono Oculto 86. O caso envolve a Rede de Postos HD suspeita de integrar um esquema criminoso com atuação nacional.

O GP1 apurou os nomes de 10 denunciados, são eles: Haran Santhiago Girão Sampaio, Danillo Coelho de Sousa, Thamyres Leite Moura Sampaio, Thayres Leite Moura Coelho, Moisés Eduardo Soares Pereira, Salatiel Soido de Araújo, Denis Alexandre Jotesso Villani, Andressa Castro Alves de Oliveira, João Revoredo Mendes Cabral Filho e Victor Linhares de Paiva.

Arquivamento e reabertura

O juiz da Central de Inquéritos do Tribunal de Justiça do Piauí, Valdemir Ferreira Santos , determinou o arquivamento do inquérito que investigava empresários da rede de Postos HD, suspeitos de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital.

A decisão, assinada no dia 1º de abril de 2026, atendeu ao pedido da defesa dos empresários Haran Santiago Girão Sampaio e Danilo Coelho de Sousa. O magistrado fundamentou sua decisão em entendimento recente do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que estabeleceu limites para o compartilhamento de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Contudo, o desembargador do Tribunal de Justiça do Piauí, José Vidal de Freitas Filho , determinou a retomada da Operação Carbono Oculto 86. A decisão do desembargador foi dada no dia 23 de abril, após pedido do Ministério Público do Piauí.