Motoristas e cobradores que atuam no transporte público de Teresina realizaram paralisação na manhã desta segunda-feira (18), marcando o início do estado de greve, que pode ser deflagrada no dia 25 de maio, caso não haja acordo com o empresariado em relação ao reajuste salarial.
A paralisação aconteceu na Praça da Bandeira, no Centro, logo no início da manhã, por algumas horas, e na parte da tarde a categoria deve parar novamente, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Rodoviário do Piauí ( Sintetro ).
O presidente do Sintetro, Antônio Cardoso, explicou que os trabalhadores exigem reajuste de 12%, enquanto a contraproposta do Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos ( Setut ) é de 3%.
“A convenção ocorre todo ano, e em 2020 foi perdida, eles não renovaram. Nós tínhamos um salário, do motorista que era o maior, R$ 2.039,00 e o ticket de R$ 611,00. As empresas cortaram o ticket de alimentação, cancelaram o plano de saúde e baixaram o salário de 2020. Ficamos 2019 sem reajuste, 2020, 2021 e parte de 2022. Então o pessoal está pedindo 12%, mas que não repõe as perdas que a gente teve, nem do ticket de alimentação e nem do plano de saúde, mas é o que o trabalhador está pedindo”, declarou Antônio Cardoso.
Sem acordo
Até o momento, não há sinal de acordo entre trabalhadores e empresários. O presidente do Sintetro também pediu providências da Prefeitura de Teresina, gerida pelo prefeito Sílvio Mendes (União Brasil).
“A gente vem desde janeiro tentando essa mediação para que não haja greve ou essas manifestações. A gente encaminhou ofícios para o prefeito, vice-prefeito, para o superintendente da Strans e também para o presidente do Setut, assim como os consórcios. O presidente do Setut propôs reajuste zero na primeira negociação e agora de 3%, quando na realidade a inflação do período é de 4,11%. Então, nem a inflação o sindicato patronal ofereceu”, frisou Antônio Cardoso.
População reclama
A paralisação é apenas um dos sintomas da crise no transporte público da capital. Quando o serviço está funcionando plenamente, ainda deixa a desejar no que diz respeito à qualidade e quantidade da frota, como ressalta a dona Maria de Fátima, que reside no bairro Socopo e depende do transporte público para se locomover pela cidade.
“O transporte é nota zero. Para a gente vir aqui no Centro é um sacrifício, porque não tem ônibus. No bairro em que eu moro, tem três ônibus, quando não quebra. O empresário não faz nada, mesmo que aumentem as passagens, mas que coloquem ônibus que prestem, porque só tem lata velha caindo aos pedaços”, reclamou a moradora.
Possível greve
Os motoristas e cobradores devem manter o cronograma de paralisações até o dia 25 e, caso não haja resposta positiva quanto às reivindicações, cruzarão totalmente os brações em uma greve geral.