Nesta sexta-feira (01), o soldado da Polícia Militar do Piauí (PM-PI), Aldo Luís Barbosa Dornel , foi condenado a 97 anos de reclusão e 2 anos de 8 meses de detenção pelo assassinato de Emilly Caetano Costa e por tentar matar os pais e as duas irmãs da vítima. O crime ocorreu durante uma abordagem policial no dia 25 de dezembro de 2017 na Avenida João XXIII, na zona leste de Teresina. Emilly, de apenas 9 anos, foi morta a tiros.
Além do soldado, também foi condenado o policial Francisco Venício Alves. Ele recebeu a sentença de 2 anos e 3 meses de detenção pelo crime de fraude processual, por ter alterado a cena do crime antes da chegada da perícia. O julgamento dos dois durou mais de 24 horas.
Aldo Luís e Francisco Venício foram submetidos ao Tribunal do Júri da Comarca de Teresina, que analisou todos os elementos probatórios relacionados ao caso. Do lado da acusação, o promotor de Justiça Márcio Carcará representou o Ministério Público do Piauí (MP-PI).
Diante do que foi exposto, o conselho de sentença decidiu pela condenação do soldado Aldo Luís por homicídio qualificado consumado contra Emilly Caetano, e por quatro tentativas de homicídio qualificado contra Evandro da Silva Costa, Daiane Félix Caetano, Evellyn Caetano Costa e Emanuelly Caetano Costa. Ele também foi condenado pelo crime de fraude processual.
Na sentença, o juiz Ronaldo Paiva Nunes Marreiros, da 1ª Vara do Tribunal Popular do Júri da Comarca de Teresina determinou a perda da farda dos réus, que foram presos em plenário.
Relembre o caso
Segundo a denúncia do MP-PI, no dia 25 de dezembro de 2017, os policiais realizavam ronda quando foram abordados por um rapaz que informou ter sofrido uma tentativa de assaltos. O jovem disse que os responsáveis estavam em um veículo com características semelhantes ao carro onde estavam Emilly Caetano, seus pais e duas irmãs, um Renault Clio.
Depois disso, ao avistarem o veículo da família, os acusados tentaram realizar uma aproximação (com giroflex da viatura desligado). O pai de Emilly, Evandro Costa, temendo que poderia ser multado por infringir as normas de trânsito (a filha menor de 01 ano não estava no bebê conforto), tentou desvencilhar-se da viatura policial.
Com isso, os policiais iniciaram uma perseguição ao veículo (ainda com giroflex da viatura desligado). Em determinado momento, os acusados fizeram indicativo de parada com o acionamento do giroflex, assim que o veículo da família da vítima estacionou próximo à Concessionária Alemanha Veículos.
Criança foi morta a tiros
Assim que para a viatura, o policial Dornel atira diversas vezes contra o carro da família, atingindo Emilly fatalmente. Os pais da criança, Evandro Costa e Dayanne Costa, também foram baleados dentro do carro. Enquanto isso, o outro PM, Francisco Venicio, efetuou dois disparos para o alto.
A denúncia do MP-PI também apontou que após o ocorrido os réus recolheram estojos e projéteis de arma de fogo da cena do crime, além de modificarem a posição da viatura policial. Ou seja, alteraram o local antes da chegada da perícia.
Policial ainda integra os quadros da PM-PI
Em consulta ao Portal da Transparência do Governo do Piauí, o GP1 apurou que o policial Aldo Luis Barbosa Dornel ainda integra os quadros da Polícia Militar do Piauí, lotado no Quartel do Comando Geral (QCG).