O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Piauí ( Sintetro ) se reuniram mais uma vez, nesta segunda-feira (25), para selar o acordo firmado com o setor patronal. Para a surpresa da entidade sindical, o reajuste de 5,35% proposto pelo Setut não incidiu sobre o valor do salário mínimo pago aos cobradores, sob o argumento de que, no futuro, poderá haver contratações apenas de motoristas para exercer ambas as funções. Para evitar a greve e a dispensa de cobradores, os trabalhadores cederam a esse acordo.
Tendo uma base de cálculo com R$ 20 a menos do real vencimento dos cobradores, o reajuste seria aplicado sobre o montante de R$ 1.601,00 (mil seiscentos e um reais). A proposta causou revolta entre a categoria, que pleiteou que a base de cálculo deveria ser sobre o atual salário mínimo, de R$ 1.621,00 (mil seiscentos e vinte um reais).
Em contrapartida, o setor patronal afirmou que, caso o reajuste recaísse sobre o salário mínimo e fosse expedida ordem de serviço para circulação de mais ônibus nas ruas de Teresina, isso acarretaria na contratação apenas de motoristas, dispensando os cobradores. O secretário de Comunicação do Sintetro, Cláudio Gomes, explicou ao GP1 de forma suscinta a proposição do Setut.
“Os empresários aceitaram colocar o reajuste de 5,35% em cima de R$ 1.621,00, mas daqui para frente eles só iriam contratar motoristas, não mais cobradores. A Strans tem ordem de serviço para que 224 carros rodem pela cidade. Ou seja, esses 224 carros iriam permanecer com o cobrador. Agora, se a ordem de serviço aumentasse o número de carros para 225, esse ônibus a mais já é para ser contratado só o motorista para fazer a dupla função”, explanou o secretário de Comunicação do Sintetro.
Conforme Cláudio Gomes, os trabalhadores abriram mão de R$ 20 na base de cálculo do reajuste para não prejudicar a população, além de considerar o esforço do Judiciário em resolver as demandas da categoria. “A gente viu o interesse do desembargador Téssio Torres, do procurador do Trabalho José Wellington, e o empenho para que esse impasse acabasse. A gente viu esse esforço, então isso levou a categoria a decidir pela opção de recuar”, declarou.
Nesta terça-feira (26), o Sintetro irá realizar uma nova assembleia para discutir os pontos apresentados na audiência no TRT, além de debater sobre a situação dos cobradores dentro das negociações.