A diretora da Escola Municipal Mário Faustino, sob gerência da Secretaria Municipal de Educação (SEMEC), é acusada de impedir funcionários de alimentar animais abandonados dentro da unidade de ensino. O caso foi exposto pelo protetor e professor da instituição, Alacídio Franco. Ele relatou que a situação se agravou em 22 de fevereiro, quando as vasilhas utilizadas para colocar alimento e água para os gatos foram descartadas.

O professor chegou a apresentar manifestação no Ministério Público do Piauí (MP-PI) e também denunciou o caso junto à Delegacia do Meio Ambiente (DPMA), responsável pelas investigações. Alacídio Franco contou ao GP1 que, durante muitos anos, alimentou os animais e conseguiu que vários fossem adotados, prática essa que sempre foi mal vista pela diretora da escola.

Foto: Reprodução
Professor alimenta gatos abandonados na Escola Municipal Mário Faustino

“Eu comecei a cuidar deles e planejando conseguir adotantes. E consegui durante muitos anos, então fazia esse trabalho junto à comunidade escolar, principalmente em relação aos alunos. E a diretora sempre olhou com maus olhos. É uma diretora que está há 18 anos no cargo. No dia 22 de fevereiro deste ano, eu cheguei para dar aula e vi que a diretora tinha jogado uma vasilha de ração e uma vasilha de água no meio dos capins e colocou um cadeado que dava acesso ao local”, relatou.

Diante disso, o professor procurou outra alternativa para alimentar os gatos, mas foi surpreendido ao retornar para a escola no dia seguinte e descobrir que as vasilhas foram trancadas em um depósito. “Os animais passaram 15 dias sem acesso a água e comida. Eu não conseguia colocar comida porque estava chovendo muito na época. A área que era coberta não permitia que eu colocasse. Foi aquela situação de dar pena. Um dia eu consegui entrar na sala onde ela trancou as vasilhas e tirei, coloquei na região da quadra em uma casinha improvisada com metais por cima. Passei mais ou menos um mês os alimentando dessa forma. Era no meio do mato”, detalhou o educador.

Segundo Alacídio Franco, assim que a diretora descobriu que ele continuava dando ração para os alimentos, ela ordenou que a estrutura improvisada para abrigá-los da chuva fosse descartada, mas o docente construiu um novo abrigo. Em mais uma tentativa de fazer com que o educador não alimentasse os animais, o portão que dava acesso à quadra onde estavam os animais foi trancado com cadeado. “É uma verdadeira perseguição. Eu fiquei mal psicologicamente porque os gatinhos não estão fazendo mal a ninguém. E eu tento ainda a adoção, eu pago a castração, toda a ração sai do meu dinheiro, do meu bolso”, pontuou Alacídio.

"Sei que a escola não é o lugar adequado para eles [animais], mas eles estão lá há anos. Não os levei para lá, e a responsabilidade por eles é de todos, inclusive do poder público", acrescentou.

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Lei estadual proíbe que protetores sejam impedidos de alimentar animais

No estado do Piauí, a Lei Estadual nº 8.598/2025 garante que qualquer cidadão tem o direito de fornecer água e comida a cães e gatos em situação de rua, bem como a animais comunitários. A legislação proíbe que agentes públicos ou terceiros impeçam os voluntários de realizar a alimentação e hidratação dos animais, prática que pode ser enquadrada como maus-tratos.

Outro lado

Procurada pelo GP1 , a assessoria da Secretaria Municipal de Educação (SEMEC) não se manifestou sobre a denúncia do professor até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para esclarecimentos.