O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) ingressou com ação civil pública com pedido de tutela de urgência contra o Município de Lagoinha do Piauí, após a gestão deixar de responder a uma requisição oficial encaminhada pela Promotoria de Justiça de Água Branca, no âmbito de uma investigação que apura suposta interferência do marido da prefeita Kelly Alencar (MDB) na administração municipal. A gestora é casada com o ex-prefeito de Agricolândia, Walter Alencar .

A ação foi ajuizada no dia 11 de junho pelo promotor de Justiça José William Pereira Luz. O órgão ministerial havia instaurado, inicialmente, um procedimento preparatório, posteriormente convertido em inquérito civil, para investigar denúncias de possível interferência indevida na administração pública, usurpação de função e constrangimento à atividade sindical supostamente praticados pelo ex-prefeito Walter Alencar.

Foto: Reprodução/Instagram
Prefeita Kelly Alencar e o ex-prefeito Walter Alencar

Durante a investigação, a promotoria encaminhou o ofício à Prefeitura de Lagoinha do Piauí, solicitando informações sobre eventual vínculo de Walter Alencar com a administração municipal, incluindo a existência de cargo, função, emprego ou autorização para representar o município em atos administrativos, especialmente em questões envolvendo servidores públicos e entidades sindicais.

Segundo o MPPI, o documento foi recebido pela administração municipal em 22 de abril deste ano pelo secretário municipal de Administração, Vanderlandio Rodrigues Leal. No entanto, após o prazo concedido, nenhuma resposta, justificativa ou pedido de prorrogação foi apresentado pela prefeitura.

Na ação, o promotor José William afirma que a omissão do município compromete o andamento da investigação e viola os princípios da transparência, legalidade e colaboração que devem orientar a administração pública. O representante ministerial sustenta ainda que o atendimento às requisições é uma obrigação legal dos órgãos públicos, prevista na Constituição Federal.

O promotor também argumenta que a conduta pode configurar, em tese, ato de improbidade administrativa por atentar contra os princípios da administração pública, além de caracterizar eventual descumprimento de dever funcional.

Sem anúncio no momento

Diante da situação, o MPPI pediu à Justiça a concessão de tutela de urgência para determinar que o Município de Lagoinha do Piauí, na pessoa da prefeita Kelly Alencar, apresente todas as informações solicitadas em ofício. O órgão requer ainda a aplicação de multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento da decisão judicial.

Ao final do processo, o Ministério Público pede a confirmação da medida liminar e a condenação do município à obrigação de fornecer integralmente as informações requisitadas para o prosseguimento do inquérito civil.

Outro lado

Procurada pelo GP1 , a prefeita Kelly Alencar não se manifestou. O espaço segue aberto para esclarecimentos.