A Polícia Civil do Piauí , em parceria com a Polícia Civil de Minas Gerais , detalhou como atuava a organização criminosa acusada de promover a venda ilegal de rifas e aplicar golpes em diversas cidades mineiras com a participação de quatro piauienses, todos de Teresina. A ação ocorreu nesta quarta-feira (24), durante a deflagração da Operação Vanitas.

Segundo o delegado-geral da Polícia Civil do Piauí, Luccy Keiko , a investigação foi iniciada pela 4ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Pirapora, em Minas Gerais, para apurar crimes de jogo de azar, lavagem de dinheiro, ameaças e associação criminosa.

Foto: Lucas Dias/ GP1
Delegado-geral Luccy Keiko

As investigações apontaram que os principais integrantes do esquema eram piauienses, naturais de Teresina. Entre os investigados estão três irmãos, sendo que um deles foi preso durante a operação. Os outros dois permanecem foragidos, mas já possuem mandados de prisão expedidos pela Justiça.

Como funcionava o esquema

De acordo com o delegado Diego Vilhena, da Polícia Civil de Minas Gerais, o grupo comercializava rifas no valor de R$ 2,00 e manipulava os sorteios para evitar que os apostadores fossem contemplados. "A organização criminosa vendia as rifas e manipulava os números que não haviam sido comercializados. Esses números eram inseridos nos sorteios, fazendo com que os prêmios fossem acumulando e ninguém ganhasse", explicou o delegado Diego Vilhena.

Ainda conforme as investigações, em algumas situações ocorria falha no esquema e um número efetivamente adquirido por um apostador acabava sendo sorteado. Quando isso acontecia, integrantes da organização ameaçavam as vítimas que procuravam reivindicar os prêmios.

Mais de R$ 11,5 milhões movimentados

As investigações revelaram que a quadrilha movimentou mais de R$ 11,5 milhões por meio do esquema criminoso. A Justiça determinou o bloqueio de mais de 40 contas bancárias vinculadas a pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo.

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Foto: Brunno Suênio/GP1
Delegado Diego Vilhena

Também foi decretado o sequestro de 12 veículos avaliados em aproximadamente R$ 1,1 milhão. Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 28 mandados de busca e apreensão nos municípios de Teresina (PI), Timon (MA), Rondon do Pará (PA) e Pirapora (MG). Um dos alvos foi preso e os demais seguem foragidos.

Vítimas eram pessoas humildes

Segundo a Polícia Civil, a organização atuava principalmente em cidades do interior e recrutava pessoas humildes para vender os bilhetes de porta em porta. Além das vendas presenciais, os investigados utilizavam redes sociais, especialmente o WhatsApp, para divulgar os sorteios e atrair novos participantes.

O delegado Luccy Keiko alertou que práticas semelhantes já vêm sendo identificadas em municípios piauienses e destacou que as maiores vítimas desse tipo de golpe são pessoas de baixa renda. "Eles chegam dizendo que estão gerando emprego e renda, mas existe uma organização criminosa por trás. As maiores vítimas são justamente as pessoas mais humildes, que compram esses bilhetes acreditando que podem ganhar algum prêmio", ressaltou.

A Polícia Civil orienta a população a desconfiar de rifas sem autorização legal e denunciar qualquer suspeita às autoridades.