O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias (PT), voltou a defender, nesta sexta-feira (26), a aprovação da proposta que extingue a escala de trabalho 6x1 . Durante entrevista coletiva no Centro de Teresina, o ministro afirmou que a mudança representa um avanço para a qualidade de vida dos trabalhadores e concluiu sua defesa da proposta dizendo que "trabalhar é muito bom, mas a gente tem outros prazeres na vida".
Ao justificar seu posicionamento, Wellington Dias afirmou que a discussão sobre a redução da jornada de trabalho faz parte de um processo de evolução do país e comparou o debate a outras transformações históricas que, segundo ele, também enfrentaram resistência antes de serem consolidadas.
"A escala 6x1 faz parte de um processo de desenvolvimento do Brasil, ela vai além de qualquer disputa. Quantos resistiram à abolição da escravatura? Quantos resistiram à CLT? Infelizmente, os grandes processos de desenvolvimento e de decisão de um país nunca são fáceis. O fato concreto é que avançamos em tecnologia e temos de garantir o respeito ao ser humano", declarou.
O ministro também argumentou que a adoção da escala 5x2 proporcionará mais tempo para que os trabalhadores convivam com a família e desenvolvam outras atividades além do trabalho. "Queremos um país desenvolvido. E para que queremos um país desenvolvido? Para o ser humano. Um governo humanista, como o do presidente Lula, olha para o ser humano. Por isso, a defesa da escala 5x2, para dar ao ser humano mais tempo de viver, de cuidar da família, do lazer, ir à igreja e poder fazer alguma outra coisa. Afinal, trabalhar é muito bom, mas a gente tem outros prazeres na vida", afirmou.
Fim da escala 6x1
A proposta prevê a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução dos salários, além de garantir dois dias de descanso por semana aos trabalhadores. O texto também estabelece uma transição gradual para a implementação das novas regras.
Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), a medida ainda precisa ser aprovada em dois turnos pelo Senado Federal antes de ser promulgada. Até que isso ocorra, continuam valendo as regras atuais da Constituição, que permitem jornada de até 44 horas semanais e a adoção da escala 6x1.