Familiares e amigos de Ana Karine Pereira Assunção realizaram, na manhã desta quinta-feira (16), um protesto em frente ao Fórum Cível e Criminal do Tribunal de Justiça do Piauí ( TJ-PI ), em Teresina. O grupo pediu a revogação da liberdade provisória concedida ao empresário Wesley Nascimento Fonseca , acusado do homicídio após uma discussão em uma lanchonete no Centro da capital, em agosto de 2025.
Os manifestantes afirmam que a decisão judicial coloca a família em risco e aumenta o sofrimento dos dois filhos da vítima. Wesley deixou a prisão após permanecer cerca de 11 meses preso e passou a responder ao processo em liberdade, mediante medidas cautelares.
Família pede mudança na tipificação do crime
Além de contestar a soltura do acusado, a família também defende que o caso seja enquadrado como feminicídio, e não apenas como homicídio qualificado.
Segundo os familiares, a motivação do crime vai além da versão apresentada pela investigação, que aponta uma discussão por causa de uma suposta dívida de aproximadamente R$ 38. Eles acreditam que Ana Karine mantinha um relacionamento com Wesley e que o assassinato teria sido motivado por questões passionais.
A irmã da vítima, Rainy Assunção, afirmou que existia uma relação entre os dois. "Existia sim. Existia ali um amor não correspondido. Eu não diria amor, mas um sentimento não correspondido. Ela andava lá, bebia com ele, dava o cartão para ele comprar cigarro. No posto, ele ia com a senha dela. Então eles tinham, sim, uma intimidade. Essa história dos R$ 38 não é verdadeira. Isso foi uma coisa inventada."
Filhos seguem traumatizados
Durante a manifestação, a situação dos filhos de Ana Karine também foi lembrada pelos familiares. Segundo a prima da vítima, Isabel Bulamarqui, o filho mais velho ainda enfrenta dificuldades para retomar a rotina. "O filho dela não está indo para a escola com medo. Está fazendo tratamento psicológico e psiquiátrico porque ficou traumatizado. Ele viu toda a cena."
Ainda de acordo com Isabel, os dois filhos continuam sofrendo com a perda da mãe. "A Carolina passa o tempo todo chorando. O Arthur vive revoltado. A gente pede justiça, porque o lugar dele é atrás das grades."
Ela também fez um apelo ao Ministério Público para que recorra da decisão que concedeu liberdade provisória ao acusado. "Peço encarecidamente ao Ministério Público que reveja esse caso, interfira nessa decisão e peça novamente a prisão preventiva dele."
Relembre o caso
Ana Karine Pereira Assunção foi morta a facadas na madrugada de 2 de agosto de 2025, no restaurante Dog Burguer, localizado na Avenida Miguel Rosa, em Teresina. O principal acusado do crime é o empresário Wesley Nascimento Fonseca, proprietário do estabelecimento.
De acordo com a investigação, os dois discutiram por causa de uma dívida referente ao consumo de bebidas, no valor aproximado de R$ 38. A discussão evoluiu para agressões físicas e terminou com o assassinato da vítima.
Após o crime, Wesley fugiu do local em uma motocicleta sem prestar socorro. Em depoimento, ele confessou ter matado Ana Karine e responde ao processo por homicídio qualificado.