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Policiais presos na Operação Largitio são suspeitos de vazar informações

De acordo como o delegado Odilo Sena, existem testemunhas que relataram em depoimento que os policiais presos quebravam bocas de fumo e em seguida entregavam o local para outro traficante.

A Polícia Civil informou à imprensa nesta sexta-feira (29), que os dois policiais militares do 8º Batalhão da Polícia Militar, presos Operação Largitio, são acusados de vazarem informações de operações pra extorquir criminosos para aumentar o poder de tráfico de outros bandidos.

De acordo como o delegado Odilo Sena, titular do 21º Distrito Policial, existem testemunhas que relataram em depoimento que os policiais presos quebravam bocas de fumo e em seguida entregavam o local para outro traficante.

“Temos testemunhas que garantem que eles se colocavam a serviço de determinados traficantes para que eles realizassem ‘a quebra da boca de fumo’. E esses traficantes, para qual eles estavam trabalhando, aumentariam o domínio na região. Eu capitulei, inicialmente, como peculato, como associação para o tráfico, mas com a gravidade no desenrolar da investigação a gravidade foi aumentando, eu creio que roubo majorado, eu creio que o próprio tráfico de drogas, associação para o tráfico de drogas e até extorsão”, informou.

  • Foto: Brunno Suênio/GP1Delegado Odilo SenaDelegado Odilo Sena

Vazamento de informações

Segundo o major Wilton, comandante do 8º Batalhão da Polícia Militar, os policias que foram presos ainda eram responsáveis por vazar informações sobre operações do 8º BPM. Eles acompanhavam as anotações do comandante em um quadro na corporação e logo depois informavam os criminosos.

“Exemplo que eu tenho bem claro, é que o delegado me falou que ele ouviu falar de alguém, que meu gabinete, se vocês forem lá, tem um quadro lá que eu comprei, nós conseguimos um quadro para as minhas anotações diárias, que eu anoto lá. O delegado me perguntou se eu tinha um quadro branco, que eu consegui recentemente, para você ver que ele copiou isso no local de tráfico”, ressaltou o comandante.

  • Foto: Brunno Suênio/GP1Major WiltonMajor Wilton

Desvio de materiais

Ainda de acordo com o major Wilton, os policiais já foram investigados por receberem dinheiro de bocas de fumo, roubarem materiais apreendidos em abordagens e desviarem armas apreendidas.

“Recebiam dinheiro de boca de fumo, usurpavam armamento que era pego em blitz, em situações diversas. Não chegavam onde eram para chegar, como na Central de Flagrantes, eram desviados. Com certeza, passavam para traficantes e voltava para o mundo do crime novamente”, ressaltou.

Entenda o caso

Foram presos os cabos Edvaldo Gomes da Silva e Francisco Vieira Lima, lotados no 8º Batalhão da Polícia Militar (BPM), no bairro Dirceu Arcoverde, na zona sudeste de Teresina.

Segundo investigações da Polícia Civil, comandadas pelo delegado Odilo Sena, do 21º Distrito Policial (DP) as investigações tiveram início em março deste ano. Os dois policiais são acusados de roubo, associação ao tráfico e furto.

“Eles foram presos por uma série de crimes, roubo, associação para o tráfico, furto, enfim. A capitulação ainda vai ser delimitada no relatório, todos cometidos em razão do serviço deles, usando farda e tudo mais. Eles quebram bocas de fumo para que o outro traficante aumentasse seu domínio e recebiam por isso”, explicou.

A Corregedoria da Polícia Militar e comando do 8° Batalhão participaram do cumprimento dos mandados. Os dois cabos foram encaminhados para o Presídio Militar.

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