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Teresina - Piauí

Alta demanda da covid exigiu aumento de gastos, diz Gilberto Albuquerque

O médico foi convidado para audiência em Comissão Especial, na Câmara Municipal de Teresina.

O ex-presidente da Fundação Municipal de Saúde, o médico Gilberto Albuquerque, afirmou nesta segunda-feira (27), durante audiência na Câmara Municipal de Teresina para apurar possíveis irregularidades na FMS, que os gastos feitos acima do comum pelo órgão ocorreram no período do pico da covid-19 e foram diretamente destinados a pagamentos de empresas prestadoras de serviços e profissionais da Saúde, que atuaram sem parar durante os piores momentos da pandemia.

Em entrevista à imprensa, Albuquerque foi questionado sobre os pagamentos de plantões feitos durante sua gestão e o ex-gestor afirmou que sua gestão pela FMS enfrentou dois picos da pandemia, ocorridos em 2021 e no início de 2022. Além disso, o médico deixou claro que ocorreu aumento no número de profissionais e pagamentos de plantões para trabalhadores que permaneceram em postos de trabalhos, mesmo podendo pedir afastamento, por conta da covid-19.

Foto: Lucas Dias/GP1Gilberto Albuquerque
Gilberto Albuquerque

“Nós fazemos é agradecer a todos os profissionais, então aqueles tendo o direito de se afastar, mas permaneceu no seu trabalho, nós temos é que louvar. Esses profissionais ficaram trabalhando no pior momento, mesmo não sendo obrigados. Eu nunca deixei de realizar meus procedimentos, mesmo tendo a prerrogativa de me ausentar deles, até porque não tinha substituto, sempre fui profissional e atendi pelo SUS. No período da pandemia, tivemos profissionais para covid e não covid. Então, por exemplo, tivemos médicos que cuidavam de todo o hospital e no período da pandemia ou ele cuidava do hospital, ou ele combatia a covid. Então tivemos que separar o hospital em mais de uma área e para cada área teve um profissional diferente, tivemos profissionais a mais e mesmo assim, nós tivemos uma redução na quantidade de plantões, extinguimos a folha suplementar e seguimos atendendo a população de acordo com suas necessidades e claro, que o período da covid foi adverso e requereu da gente de muitas decisões, mas de uma reformulada por dia, às vezes a gente tomava uma decisão e na noite já tínhamos que mudar”, declarou Gilberto.

Falta de insumos e repasses de R$ 80 milhões


O vice-prefeito de Teresina, Robert Rios, quando rompeu politicamente com o prefeito Dr. Pessoa, afirmou que ocorreram pagamentos indevidos na FMS, que chegaram a R$ 80 milhões, sobre esse assunto, Gilberto Albuquerque pontuou os repasses são realizados pela Diretoria Administrativa Financeira e já com o destinatário definido, não podendo ser alterado pelo gestor da pasta. O médico ainda ressaltou que o dinheiro era exclusivamente destinado a empresas prestadoras de serviços da FMS e hospitais particulares que atendem pelo SUS e rebateu acusações sobre faltas de insumos, esclarecendo que a situação afetou todo o País.

Foto: Lucas Dias/GP1Fundação municipal de Saúde
Fundação municipal de Saúde

“Eu terminei minha gestão e passei por falta de insumos que atingiu o Brasil todo, isso foi motivo de reportagens e todo local teve dificuldades. Sobre esse repasse [80 milhões] como está citado e foi explicado aqui, é feito para quem prestou serviço e realizado direto pela Diretoria Administrativa Financeira. É como se o dinheiro já vem carimbado, pois é destinado já para quem deve receber. Eu tive conhecimento nessas discussões e mesmo se eu tivesse antes, não teria mudado, porque assim, você teria só duas opções, receber o dinheiro de alguém ou se não repassar, você é punido por improbidade. Não [não tem fundamento as acusações de Robert Rios] e podem checar em todos os processos que esse dinheiro é repasse de quem trabalhou para o SUS. Eu já disse, era muito fácil ter checado isso, porque onde o extrato foi tirado, lá tem o nome da empresa prestadora e porque esse dinheiro foi repassado. Em 2020 tivemos pico da covid na gestão passada, com a atual gestão, ocorreu em 2021 e 2022 também, então era para se fazer tudo naquele momento, nós temos é sorte de ter tido gestões que decidiram pelo bem da população, ou repasso o dinheiro de quem fez atendimento aos pacientes, ou retenho dinheiro e o serviço de saúde para, então é justo”, disse o ex-gestor.

Comissão Especial

A criação da Comissão Especial foi definida pela Câmara Municipal de Teresina no dia 7 de fevereiro deste ano, durante a primeira sessão ordinária de 2023. Os trabalhos procuram analisar denúncias de irregularidades na Fundação Municipal de Saúde (FMS). A proposição do vereador Leonardo Eulálio (PL), que teve 23 assinaturas, sendo aprovada por unanimidade.

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