O prefeito de Beneditinos, Dr. Talles Marques (PSD), afirmou em entrevista ao GP1 , nesta terça-feira (18), que o ex-prefeito Jullyvan Mendes iniciou obras no açude Taboquinha, área de domínio federal, sem autorização do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas ( DNOCS ). Segundo ele, a atual gestão recebeu notificações oficiais do órgão e também uma recomendação do Ministério Público Federal (MPF) para suspender imediatamente os serviços, orientação que foi atendida.
Dr. Talles explicou que o projeto, chamado Ecopark Açude Beneditinos, foi lançado ainda em 2022, durante a gestão do então prefeito Jullyvan Mendes, com o objetivo de fomentar o turismo local às margens do açude. O ex-prefeito buscou recursos via emendas parlamentares e por meio de empréstimo junto à Caixa Econômica Federal, no entanto, o DNOCS não cedeu a área à Prefeitura de Beneditinos.
Apesar da negativa de autorização por parte da autarquia, duas empresas foram contratadas para tocar a obra: a Eco Brasil (responsável pelo calçamento) e a Construtora Nasa (responsável pelos quiosques), que iniciaram os trabalhos no segundo semestre de 2024, de acordo com Dr. Talles, sem licenciamento ambiental e sem autorização do DNOCS.
Prefeitura de Beneditinos foi notificada em 2025 para paralisar a obra
Ao assumir a prefeitura em janeiro de 2025, o prefeito Dr. Talles afirmou que as obras estavam paralisadas e foram retomadas em julho. No entanto, após uma vistoria de rotina do DNOCS, em setembro deste ano, a autarquia identificou a execução da obra e notificou a atual gestão, acreditando inicialmente que a intervenção havia sido iniciada por Dr. Talles.
“Na véspera das eleições de 2024 começaram uma obra de calçamento e de construção de quiosques, sem autorização e sem licenciamento. Quando assumi em 2025, imaginei que tudo estava regular, mas estava sem autorização do DNOCS e sem licenciamento, inclusive, o DNOCS negou ainda em 2023 e eu só descobri a irregularidade quando o DNOCS me notificou dizendo que eu teria invadido o açude”, explicou o prefeito Dr. Talles.
Ele ressaltou ao DNOCS que a obra havia começado ainda em 2024, no fim da administração anterior, e que não autorizou qualquer pagamento ou continuidade do serviço. O prefeito também recebeu um documento do MPF recomendando a suspensão completa das intervenções, o que, segundo ele, foi prontamente cumprido. As empresas envolvidas foram oficialmente notificadas para cessar todas as atividades no local. “Recebi também a recomendação do Ministério Público Federal para suspender as obras, e assim fiz de imediato, notificando as empresas Eco Brasil e Nasa”, ratificou.
Riscos à barragem e impacto para a população
A notificação do DNOCS alertava, entre outros pontos, que o calçamento executado sobre a parede do açude poderia comprometer a drenagem da barragem, aumentando o risco estrutural em períodos de chuva. Por se tratar de área federal, qualquer intervenção exige licenciamento ambiental, autorização do órgão e projetos técnicos específicos, o que não existia na obra executada.
O prefeito lamentou que a população seja prejudicada por uma obra iniciada de forma irregular. “É um prejuízo grande para a população. Uma obra tão esperada, mas que foi iniciada de forma irresponsável pelo ex-gestor. Eu estou buscando resolver administrativamente junto ao DNOCS e também judicialmente para evitar que recaia sobre mim uma tomada de contas especial”, ampliou o gestor.
Impasse jurídico e risco de prejuízo financeiro
Segundo o prefeito, a Caixa Econômica pediu medições para liberar o pagamento dos serviços já executados, mas ele recusou assinar qualquer liberação enquanto a obra estiver irregular. Ele afirma que já acionou a equipe jurídica da Prefeitura para ingressar com ação, justificando a paralisação e tentando evitar responsabilização financeira.
Outro lado
O ex-prefeito Jullyvan Mendes enviou ao GP1 , nesta quarta-feira (19), direito de resposta no qual nega as acusações. Confira abaixo na íntegra:
Em razão da matéria publicada pelo Portal GP1, intitulada “Ex-prefeito Jullyvan Mendes iniciou obra em açude sem autorização do DNOCS, afirma prefeito Dr. Talles”, venho exercer o meu Direito de Resposta, previsto na legislação, a fim de restabelecer a verdade dos fatos.
1. Todos os projetos foram submetidos ao DNOCS
É falsa a afirmação de que obras teriam sido iniciadas sem qualquer autorização.
Todos os projetos de engenharia referentes ao Eco Park Açude foram formalmente encaminhados ao DNOCS para análise e avaliação técnica, conforme comprova a documentação protocolada à época.
2. Pavimentação não exige análise de risco
As obras citadas dizem respeito exclusivamente à pavimentação de vias públicas, intervenções que não se submetem à análise de risco pelo DNOCS, por se tratarem de obras de engenharia comum, de interesse público e executadas em área de domínio público.
Portanto, não havia qualquer impedimento legal para sua execução.
3. A denúncia do então vice-prefeito inviabilizou a doação da área, mas não a pavimentação
No período de lançamento do Eco Park Açude, o então vice-prefeito realizou denúncia contra o projeto, o que acabou inviabilizando a doação definitiva da área ao município. Apesar disso, a pavimentação pôde ser executada normalmente, por ser obra pública em área pública, independente da referida doação.
4. Tentativa de desviar a atenção de falhas recentes da atual gestão
Causa estranhamento que o prefeito tente retomar um assunto já esclarecido há anos dias após vir à tona sua omissão em solicitar a vistoria obrigatória para aferição das perdas nas lavouras da agricultura familiar, o que inviabilizou o acesso dos produtores ao programa Garantia-Safra.
Há documento oficial do próprio Ministério do Desenvolvimento Agrário comprovando a inércia da atual gestão, fato que prejudicou diretamente dezenas de famílias rurais.
5. Baixo nível de investimento e dependência de obras herdadas
É notório que, em seu primeiro ano, a gestão atual apresenta baixíssimo nível de investimento, tendo como únicas obras em andamento aquelas deixadas estruturadas pela gestão anterior.
Enquanto isso, a prioridade do governo tem sido eventos festivos, em detrimento de ações estruturantes e das necessidades reais da população.
Reafirmo meu compromisso com a verdade, com a responsabilidade administrativa e com o desenvolvimento de Beneditinos, reiterando que todas as ações da minha gestão foram pautadas na legalidade, no planejamento e no respeito ao interesse público.
Jullyvan Mendes
Ex-prefeito de Beneditinos – PI