Nesta sexta-feira, 25 de julho, é comemorado o Dia Internacional da Agricultura Familiar, data instituída pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) para celebrar e reconhecer a importância dos agricultores e das agricultoras em todo o mundo. No Brasil, mais especificamente no Piauí, essa prática agrícola é essencial para a economia, a segurança alimentar e a preservação ambiental.

No Piauí, a data ganha um sentido ainda mais profundo, com mais de 1 milhão de piauienses ligados direta ou indiretamente à agricultura familiar. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ( IBGE ), o Piauí é o estado mais rural do Brasil, com mais de 31% da sua população vivendo no campo. Essa característica geográfica e cultural se traduz em números expressivos da produção familiar, que alimenta a população local, abastece feiras e mercados urbanos, gera renda e também rende exportações, como é o caso do mel piauiense.

Mel do Piauí

Foto: Geirlys Silva/SAF
Produção de mel no Piauí

O estado piauiense é o maior exportador de mel do Brasil e figura entre os maiores produtores do país. A produção anual média gira em torno de 8 mil toneladas, sendo 93% proveniente da agricultura familiar. De acordo com a Secretaria de Estado da Agricultura Familiar (SAF), são cerca de 12 mil agricultores familiares envolvidos na atividade, com destaque para os municípios de Picos, São Raimundo Nonato e Itainópolis, que lideram a cadeia produtiva.

Outras produções

Também merece destaque na produção familiar piauiense a ovinocaprinocultura. Conforme o IBGE, o Piauí possui mais de 3,6 milhões de animais, sendo 1,9 milhão de caprinos e 1,7 milhão de ovinos, o que faz do estado o terceiro maior rebanho do país. Mais de 90% desses animais são criados por agricultores familiares.

Outra grande produção no território piauiense é o caju. Com mais de 50 mil hectares plantados, o Piauí possui a segunda maior área de cajueiros do Brasil. A cajucultura está presente em cerca de 100 municípios e movimenta uma cadeia diversificada que vai além da extração da castanha: o pedúnculo (polpa) do caju é aproveitado na produção de cajuína, sucos, polpas, doces e outros produtos.

Foto: Geirlys Silva/SAF
Piauí se destaca na produção da agricultura familiar

O Piauí também se destaca na produção de algodão orgânico com certificação internacional. Cerca de 155 famílias atuam na produção, em municípios como São Raimundo Nonato, Canto do Buriti, São Francisco de Assis do Piauí, Queimada Nova e Paulistana, exportando algodão para uma indústria francesa de calçados.

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A produção anual média de algodão no Piauí é de 10 toneladas, cultivadas sem o uso de agrotóxicos e com práticas de preservação ambiental, como rotação de culturas, compostagem e controle biológico de pragas.

Investimento público

A secretária de Agricultura Familiar do Piauí, Rejane Tavares, afirma que os investimentos do Governo do Estado nesse setor já somam mais de R$ 1 bilhão, aplicados em ações produtivas, de infraestrutura, assistência técnica e sustentabilidade.

“São investimentos principalmente na área produtiva, estimulando os agricultores familiares a melhorar o seu processo de produção, incorporar novas tecnologias, tecnologias sustentáveis que permitam aumento da produção, mas que garantam alimentos de qualidade e com preservação ambiental”, destaca a secretária.

Foto: Lucas Dias/GP1
Rejane Tavares

Os recursos são oriundos do próprio Governo do Estado e de parcerias com instituições como o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA). A SAF também articula os agricultores mais estruturados com o acesso ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), operado por instituições como o Banco do Brasil e o Banco do Nordeste.

“Esses investimentos são suportes, alavancas para um processo de crescimento sustentável, permitindo a inserção dos agricultores no mercado, com capacidade de firmar contratos com empresas, mercadinhos e ampliar sua escala de produção”, explica a gestora.

Rejane Tavares também enfatiza o uso de tecnologias adaptadas e de baixo impacto ambiental, como a implantação de kits de irrigação por gotejamento, o incentivo à cobertura morta do solo, a orientação para não desmatar e não queimar, e o uso de microtratores adequados à realidade da agricultura familiar.

A agricultura familiar piauiense vai além dos grandes números e exportações. Consiste também na produção diária de hortaliças, frutas, farinha, doces, rapaduras, biscoitos, derivados do babaçu, azeites e óleos, que chegam às feiras, cozinhas e escolas. Um setor que sustenta famílias, preserva o meio ambiente, fortalece a cultura alimentar local e contribui para a economia do estado.