O Ministério Público do Estado do Piauí apresentou, nesta terça-feira (26), denúncia formal contra Raimundo Nonato da Conceição Morais por um acidente de trânsito ocorrido em 1º de agosto de 2025, que resultou na morte de três pessoas e deixou outras três gravemente feridas. O incidente, que envolveu alta velocidade e embriaguez, configurou, segundo a promotoria, homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado, com dolo eventual e agravantes de perigo comum e recurso que impossibilitou a defesa das vítimas.
Os autos do Inquérito Policial detalham que, por volta das 21h30min, Raimundo Nonato da Conceição Morais, após consumir grande quantidade de bebidas alcoólicas em um estabelecimento conhecido como "Bar da Santinha", no bairro Três Andares, assumiu a direção de uma Mitsubishi Pajero. Em estado visível de embriaguez e dirigindo em alta velocidade, o acusado ultrapassou o sinal vermelho no cruzamento das Avenidas Barão de Castelo Branco e Industrial Gil Martins, na zona sul de Teresina.
A colisão foi de tamanha violência que o veículo Hyundai HB20, que trafegava corretamente com o sinal verde, foi arremessado contra outros dois automóveis parados no semáforo: um Renault Clio e um Toyota Yaris. As vítimas fatais foram identificadas como Jardyel de Abreu Pessoa, Weslley Moura Sousa e Débora Mavy de Abreu Pessoa, que tiveram morte imediata. Além disso, Diana Carmem de Abreu Viveiro, Smyrna Viveiro de Abreu Pessoa e Kevin Ray Abreu dos Santos sofreram lesões corporais graves.
Após o impacto devastador, Raimundo Nonato da Conceição Morais empreendeu fuga a pé do local do acidente, vestindo camiseta regata preta e bermuda escura. Relatos testemunhais e imagens de câmeras de monitoramento, incluindo as fornecidas pela STRANS e por estabelecimentos comerciais próximos, comprovam não apenas a fuga, mas também a conduta imprudente do acusado antes do sinistro, com manobras perigosas e consumo de álcool.
O vasto conjunto probatório contra Raimundo Morais inclui laudos periciais de exame papiloscópico no veículo Pajero, confirmando suas impressões digitais, e um laudo de Exame Genético Forense (DNA) que encontrou perfis genéticos do acusado em vestígios coletados no interior do veículo e em peças de vestuário. Testemunhas como Givanildo Silva da Assunção, Francisca Mikaelly da Silva e Maria dos Santos Silva corroboraram que o acusado estava no bar consumindo álcool antes de sair dirigindo, reforçando a condição de embriaguez. A antiga proprietária do Pajero, Sônia Aparecida Luz Rodrigues, também confirmou ter entregue o veículo ao denunciado como forma de pagamento por serviços prestados, evidenciando sua posse direta.
Diante das evidências, o Ministério Público sustenta que a materialidade delitiva está comprovada pelos laudos periciais e os indícios de autoria apontam inequivocamente para Raimundo Morais como o responsável pelos crimes. As qualificadoras aplicadas refletem a forma como o crime foi cometido, com o uso de um meio que resultou em perigo comum e que impossibilitou a defesa das vítimas, que estavam em seus veículos, trafegando em conformidade com as regras de trânsito.
O Ministério Público, através do promotor Romerson Mauricio de Araújo, pede o recebimento da denúncia e a citação do acusado para responder à acusação, com posterior submissão ao Tribunal Popular do Júri. Adicionalmente, foi solicitada a juntada da certidão de antecedentes criminais do acusado e a fixação de um valor mínimo de R$ 100.000,00 (cem mil reais) em favor de cada vítima fatal e cada vítima lesionada, a título de reparação pelos danos decorrentes da infração, conforme previsto no Código de Processo Penal.