O estado do Piauí vem enfrentando um período prolongado de estiagem, com déficit de chuvas que já afeta diretamente 126 municípios, segundo o decreto de emergência mais recente. A situação é mais crítica na região do Território da Serra da Capivara, onde a média histórica de precipitação entre fevereiro e abril era de 350 mm, mas as altas temperaturas antecipadas reduziram drasticamente os volumes. Dados da Secretaria de Defesa Civil (Sedec) apontam que apenas o mês de janeiro registrou índices satisfatórios, e desde então o déficit acumulado chega a 40%.
De acordo com o Monitor de Secas, 75 cidades estão em condição de seca extrema, o que exige ações emergenciais para mitigar os impactos à população. O Governo do Estado afirma que investiu R$ 350 milhões entre 2023 e 2025 em obras e programas de enfrentamento. Entre as medidas, foram concluídos 84 sistemas de dessalinização no semiárido, garantindo acesso diário a quase 180 mil litros de água para cerca de 15 mil pessoas. A meta é alcançar 103 sistemas e atender mais de 18 mil moradores.
Além disso, o Programa Garantia Safra, em parceria com a Secretaria da Agricultura Familiar (SAF), Defesa Agropecuária (Sada) e Assistência Técnica, assegurou o pagamento de R$ 1.200 a mais de 70 mil famílias afetadas pela perda de safra. Em obras de infraestrutura hídrica, como adutoras, barragens e poços, foram aplicados R$ 192 milhões. A Operação Carro-pipa, coordenada pela Sedec, recebeu R$ 8 milhões e atende 54 municípios com o apoio de 193 caminhões-pipa.
Um convênio entre a SAF e o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) viabilizou a construção de 198 cisternas, de um total previsto de 4,4 mil unidades, com execução iniciada em 2024. Já o Programa Piauí Sustentável e Inclusivo (PSI) implantou 300 projetos produtivos adaptados às mudanças climáticas, com investimentos de até R$ 400 mil por iniciativa. A Secretaria de Infraestrutura Hídrica (Sefir) entregou sistemas de abastecimento em 11 municípios e segue com perfuração de poços tubulares em outras seis cidades até dezembro.
O Governo Federal também participa do enfrentamento à seca por meio do Garantia-Safra, que oferece renda mínima a agricultores familiares em áreas afetadas por estiagem ou excesso de chuvas. O benefício, pago em cinco parcelas de R$ 240, é destinado a famílias com renda mensal de até um salário mínimo e meio, que cultivam entre 0,6 e 5 hectares de culturas como milho, feijão, arroz, algodão ou mandioca.