A Justiça decretou a prisão preventiva de Erivan Gonçalves de Almondes , ex-secretário municipal de Agricultura da cidade de Inhuma, acusado de assassinar Adriano Dias Meirelis, conhecido como "Adriano de Zé Mirica", no dia 2 de março de 2025. A decisão do juiz Antonio Genival Pereira de Sousa, da Vara Única da Comarca de Inhuma, dada nessa quarta-feira (21), foi tomada após o descumprimento reiterado e prolongado das medidas cautelares impostas ao acusado, que violou sistematicamente o monitoramento eletrônico e os limites geográficos estabelecidos pela Justiça.
Na decisão, o magistrado destacou que "as medidas cautelares diversas da prisão, embora necessárias, mostraram-se insuficientes diante da contumácia do acusado". O Ministério Público apresentou certidões comprovando que Erivan ultrapassou repetidamente os limites permitidos e até deixou o dispositivo eletrônico sem bateria, demonstrando "flagrante desrespeito às ordens judiciais".
Crime brutal em via pública
O assassinato de Adriano expôs a face mais cruel da violência motivada por razões banais. Tudo começou por volta das 19h20min na Churrascaria Alves, no Povoado Banguês, quando o trabalhador, que administrava o estabelecimento com sua companheira, pediu educadamente que Erivan se retirasse do local, deixando claro que ele não era bem-vindo ali.
O simples pedido gerou "profundo descontentamento" no ex-secretário, que saiu visivelmente irritado e seguiu para o Bar da Cristina. Testemunhas relataram que Erivan mencionou que iria buscar "algo em casa" – o prenúncio da tragédia que estava por vir.
Duas tentativas de execução
Ao retornar armado à churrascaria, acompanhado de José do Nascimento Sousa, Erivan sacou a arma, engatilhou e apontou diretamente para o rosto de Adriano. Apenas a corajosa intervenção de Adriana Ferreira de Sousa, companheira da vítima, impediu a execução imediata. Ela se colocou entre os dois, suplicando pela vida de Adriano.Frustrado, o ex-secretário deixou o local em sua motocicleta. Mas o ódio ainda não havia se dissipado.
O desfecho fatal ocorreu minutos depois, no cruzamento da Rua Acelino Almeida com a Rua Raimundo Borges de Oliveira. Quando Adriano chegou ao local onde Erivan conversava com José do Nascimento, o acusado exclamou: "Tu quer morrer mesmo?" e disparou três vezes contra a vítima indefesa.
Adriano, mesmo agonizando e com ferimentos gravíssimos, conseguiu proferir suas últimas palavras: "Foi Erivan que me matou", antes de falecer a caminho do hospital por choque hipovolêmico hemorrágico.
Família devastada
As consequências do crime transcendem a perda de uma vida. Adriano deixou um filho portador de deficiência que dependia integralmente de seus cuidados e pais idosos de 81 e 76 anos que recebiam auxílio constante do filho. A ausência do provedor e cuidador principal ampliou exponencialmente a dimensão da tragédia, deixando dependentes vulneráveis completamente desamparados.
Acusação de homicídio triplamente qualificado
O Ministério Público, em denúncia assinada pelos promotores Jessé Mineiro de Abreu e Márcio Giorgi Carcará Rocha, classificou o crime como homicídio triplamente qualificado por: Motivo fútil, Perigo comum e recurso que impossibilitou a defesa , já que a vítima estava desarmada e foi surpreendida
A denúncia, que destaca o "dolo homicida e evidente menosprezo à vida" demonstrado por Erivan, foi recebida pela Justiça em 23 de março de 2025.
Medidas cautelares fracassaram
Na fundamentação da prisão preventiva, o juiz Antonio Genival Pereira de Sousa foi enfático ao afirmar que "o acusado demonstrou completo desprezo pelas determinações judiciais", tornando necessária a medida extrema da prisão.
O magistrado determinou a expedição imediata do mandado de prisão, com validade em todo território nacional e inserção no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP). A decisão também prevê a suspensão do monitoramento eletrônico após o cumprimento da prisão e ordena que Erivan constitua novo representante legal para apresentar alegações finais. A ordem judicial termina com a expressão: "CUMPRA-SE COM URGÊNCIA".