A mãe de uma criança internada há quase quatro meses na Maternidade Dona Evangelina Rosa , em Teresina, denunciou ao GP1 neste sábado (21) a demora na transferência para outro estado para a realização de uma cirurgia cardíaca por meio do Tratamento Fora de Domicílio (TFD). Segundo ela, o pedido foi protocolado no dia 6 de janeiro, mas desde então a família enfrenta dificuldades, como demora no atendimento, falhas na análise de documentos e problemas no próprio setor responsável pelo encaminhamento.

De acordo com o relato, a criança permanece hospitalizada enquanto aguarda a liberação de vaga e corre risco de morte, pois a única passagem que mantém o funcionamento do coração pode se fechar a qualquer momento. A mãe informou que a cirurgia é considerada urgente e que a paciente depende de uma medicação temporária, que não pode ser prolongada por longos períodos e já apresenta efeitos colaterais negativos, sem garantia de manter o canal aberto.

Foto: Lucas Dias/GP1
Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa

“Estou com minha filha internada na Evangelina Rosa, aguardando transferência para outro estado para realizar uma cirurgia cardíaca por meio do Tratamento Fora de Domicílio (TFD). Demos entrada no processo no dia 6 de janeiro, após muita luta e diversos obstáculos enfrentados dentro do próprio setor do TFD, com situações de descaso, como funcionários que não analisaram corretamente a documentação e até servidor que deixou o expediente antes de concluir o atendimento. Desde então, seguimos aguardando uma vaga que nunca chega, sem qualquer resposta concreta. Minha filha já vai completar quatro meses internada. A cirurgia é de urgência, pois ela corre risco de óbito. A única passagem que mantém o coração dela funcionando pode fechar a qualquer momento”, relatou.

A família afirma que não recebeu retorno oficial sobre o andamento do processo nem previsão para a transferência. Enquanto isso, a criança segue internada, sob monitoramento, mas sem acesso ao procedimento indicado. A mãe cobra agilidade na liberação da vaga e uma resposta das autoridades de saúde, alegando que a espera prolongada aumenta o risco de agravamento do quadro clínico.

“A medicação que ela utiliza é temporária, não pode ser prolongada por muito tempo e já começou a apresentar efeitos colaterais negativos. Além disso, mesmo com o uso do medicamento, não há garantia de que o canal permanecerá aberto. Ela está vivendo à base da sorte. Está internada, sendo monitorada, mas isso não resolve o problema principal, que é a necessidade imediata da cirurgia. Trata-se de um procedimento urgente, que não pode aguardar meses em uma fila de espera, principalmente diante do risco real e constante de agravamento do quadro. O que precisamos é da vaga para a transferência e de uma resposta oficial sobre o andamento do processo. Até agora, não houve qualquer posicionamento efetivo. Enquanto isso, minha filha permanece hospitalizada, correndo o risco de que, a qualquer momento, a situação se torne irreversível”, pontuou.

Foto: Lucas Dias/GP1
Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina

O que diz a Sesapi

Em nota ao GP1 , a Secretaria de Estado da Saúde do Piauí informou que a paciente está recebendo acompanhamento integral da equipe médica, com suporte da regulação estadual. Segundo o órgão, o caso foi submetido a uma teleconsultoria com o Instituto Nacional de Cardiologia para auxiliar na definição da conduta clínica e na busca por uma unidade de referência para o tratamento.

Sem anúncio no momento

A secretaria também afirmou que, por se tratar de uma situação de urgência, estão em andamento tratativas com a Central Nacional de Regulação de Alta Complexidade e com a regulação do estado do Ceará. De acordo com a Sesapi, a paciente foi inserida no sistema FASTMEDIC, que integra a busca por vagas em serviços especializados de alta complexidade.

Ainda conforme o posicionamento, as equipes seguem mobilizadas para garantir agilidade na viabilização da vaga e continuidade do atendimento especializado. O órgão destacou que, assim que houver disponibilidade em uma unidade de referência, será assegurado o transporte aéreo de urgência para a transferência da paciente.

Confira a nota na íntegra

A Secretaria de Estado da Saúde do Piauí esclarece que a paciente encontra-se internada na Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina, com acompanhamento integral da equipe médica e suporte da regulação estadual. O caso foi submetido à teleconsultoria com o Instituto Nacional de Cardiologia, visando auxiliar na definição da conduta clínica e na busca por unidade de referência.

A Sesapi informa ainda que, por se tratar de demanda de urgência, estão em andamento tratativas junto à Central Nacional de Regulação de Alta Complexidade e à regulação do Ceará, com inserção da paciente no sistema FASTMEDIC. As equipes seguem mobilizadas para garantir celeridade na viabilização de vaga e continuidade do cuidado especializado. Tão logo haja disponibilidade de vaga, fica assegurado o Transporte Aéreo de Urgência.