A Justiça autorizou que o promotor de Justiça Maurício Verdejo Gonçalves Júnior passe a residir em Goiânia (GO), onde deverá continuar seu tratamento médico sob supervisão da família. A decisão atende parcialmente ao pedido da defesa, que alegou agravamento do quadro de saúde psiquiátrica do promotor. A decisão foi assinada pelo desembargador Ricardo Gentil Eulálio Dantas , do Tribunal de Justiça do Piauí , em 24 de fevereiro de 2026.

De acordo com o requerimento, Maurício Verdejo estava em Teresina, submetido a medida cautelar que o proibia de se ausentar da comarca. A defesa argumentou que ele não possui mais residência fixa na capital piauiense, estando hospedado em imóvel alugado por meio de aplicativo, o que lhe gerava ônus financeiro elevado e sensação de instabilidade emocional.

Foto: GP1 (imagem exclusiva)
Promotor titular da 6ª Promotoria de Picos, Maurício Verdejo Gonçalves Júnior

Ao analisar o pedido, o magistrado considerou a gravidade das circunstâncias relatadas e, com base no princípio da dignidade da pessoa humana, autorizou a mudança de residência para a comarca de Goiânia (GO). O promotor deverá manter o acompanhamento médico e cumprir as demais medidas cautelares impostas no processo.

Relembre o caso

Segundo o Ministério Público do Estado do Piauí, Maurício Verdejo e seu ex-assessor, André Ricardo Bispo Lima , respondem a acusações de concussão, prevaricação, tráfico de influência e supressão de documentos.

A denúncia aponta que o promotor teria exigido R$ 3 milhões do empresário Junno Pinheiro Campos de Sousa em troca do arquivamento de um procedimento investigatório e da intermediação para obtenção de absolvição em outro processo criminal. Os encontros teriam ocorrido entre julho e agosto de 2024, nos municípios de Cajueiro da Praia e Teresina.

Conforme as investigações, no dia 2 de agosto de 2024, o empresário esteve na residência do promotor para entregar parte do valor solicitado. Em 7 de agosto, teria retornado ao local para repassar R$ 500 mil. A Polícia Federal flagrou o encontro no condomínio onde Maurício Verdejo morava e, em seguida, cumpriu mandado de busca e apreensão, encontrando R$ 896 mil em espécie na residência.

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O Ministério Público também sustenta que o ex-assessor André Ricardo teria auxiliado nas tratativas, inclusive orientando a vítima na elaboração de petições para facilitar o arquivamento do procedimento investigatório.

Além disso, Maurício Verdejo é acusado de ter bloqueado remotamente o celular apreendido durante a operação policial, impedindo a extração de dados pela perícia, fato que embasa a imputação de supressão de documento.