O juiz da Central de Inquéritos do Tribunal de Justiça do Piauí, Valdemir Ferreira Santos , determinou o arquivamento do inquérito que investigava empresários da rede de Postos HD , suspeitos de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital.

A decisão, assinada no dia 1º de abril de 2026, atendeu ao pedido da defesa dos empresários Haran Santiago Girão Sampaio e Danilo Coelho de Sousa. O magistrado fundamentou sua decisão em entendimento recente do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes , que estabeleceu limites para o compartilhamento de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Segundo o juiz, ficou comprovado que houve irregularidades no andamento da investigação. Entre as questões apontadas estão o compartilhamento de relatórios financeiros com os investigadores sem prévia autorização judicial e a solicitação desses documentos ao Coaf, sem a existência de elementos investigativos mínimos que justificassem o pedido.

Foto: Alef Leão/GP1
Posto HD 09

A investigação foi instaurada em setembro de 2025, mas somente foi formalmente submetida ao Judiciário em março de 2026. Ainda em 15 de setembro, poucos dias após a abertura do inquérito, a polícia já havia solicitado relatórios de inteligência financeira (RIFs) ao Coaf.

Na decisão, o magistrado destacou que, conforme o entendimento de Moraes, é necessário que haja um procedimento investigativo formal previamente submetido ao juiz para que autoridades policiais ou o Ministério Público possam requisitar relatórios ao Coaf. Além disso, esses documentos não podem ser a primeira, nem a única medida adotada em uma investigação.

Outro ponto ressaltado foi a necessidade de individualização das suspeitas nos pedidos de relatórios, com fundamentação adequada para cada investigado o que, segundo o juiz, não ocorreu no caso em tela.

Sem anúncio no momento

Diante das irregularidades, o magistrado determinou não apenas o arquivamento do inquérito, mas também a anulação de todos os relatórios do Coaf e das provas produzidas a partir deles. Esses elementos também deverão ser excluídos de outras investigações que eventualmente tenham sido impactadas.

Empresários chegaram a ser denunciados

Os empresários investigados já foram denunciados à Justiça por crimes como adulteração de combustíveis, fraude contra consumidores, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Eles foram alvos da operação Carbono Oculto 86, desdobramento de uma investigação maior que apura um esquema envolvendo postos de combustíveis no Piauí. Outros investigados incluem figuras conhecidas como Beto Louco, Primo e um ex-assessor parlamentar.

O Poder Judiciário ainda não recebeu a denúncia oferecida em março deste ano.

O que diz a defesa dos empresários

Procurada na manhã desta quarta-feira (15), a defesa dos empresários Haran Santiago Girão Sampaio e Danilo Coelho de Sousa não se pronunciou sobre a decisão. O espaço está aberto para a defesa.