O Piauí aparece como o estado com maior índice de desinformação entre jovens sobre a necessidade de vacinação contra o HPV no Brasil. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada pelo IBGE , mostram que 59,5% dos estudantes que não se imunizaram afirmaram não saber que precisavam tomar a vacina – percentual acima da média nacional, que é de 49,6%.
Na capital, Teresina também apresenta cenário preocupante. Ao todo, 55,8% dos jovens que não foram vacinados alegaram desconhecimento sobre a imunização, índice 6,2 pontos percentuais superior à média do país. Entre as capitais brasileiras, a cidade lidera esse tipo de justificativa, seguida por Salvador (54,4%) e Aracaju (53,9%).
Baixa cobertura vacinal
O nível de desinformação impacta diretamente na cobertura vacinal. No Piauí, 56,6% dos estudantes de 13 a 17 anos declararam ter recebido a vacina contra o HPV em 2024, colocando o estado na décima posição nacional. Entre as capitais, Teresina aparece com a oitava menor taxa de imunização, com 52,1% dos jovens vacinados – abaixo da média estadual e também inferior ao índice nacional.
Ainda segundo o levantamento, houve redução no número de estudantes imunizados na maioria dos estados brasileiros em comparação com 2019. O Rio Grande do Norte foi a única unidade da federação que apresentou crescimento no período.
Entre os estados, o Amazonas registrou o maior percentual de vacinação, com 62,6% dos estudantes imunizados, enquanto o Acre apresentou o menor índice, com 38,4%.
No recorte por gênero, a vacinação no Piauí é maior entre meninas, com 59,4% imunizadas, enquanto entre os meninos o percentual é de 53,7%.
Importância da vacinação
O HPV é a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo e pode causar desde verrugas até diversos tipos de câncer, como de colo do útero, ânus, pênis, boca e garganta. Na maioria dos casos, a infecção não apresenta sintomas, podendo permanecer silenciosa por anos.
A vacinação é considerada a principal forma de prevenção e está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O imunizante é indicado principalmente para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, além de grupos específicos, como pessoas imunocomprometidas e vítimas de violência sexual.
Especialistas reforçam que, além da vacina, o uso de preservativos também contribui para reduzir o risco de transmissão do vírus.