O delegado-geral da Polícia Civil do Piauí , Luccy Keiko , participou nesta segunda-feira (27) do segundo episódio do GP1 Podcast , oportunidade em que abordou os principais desafios da segurança pública no estado, o enfrentamento ao crime organizado, as grandes operações contra esquemas de pirâmide financeira, os golpes virtuais, a redução dos casos de feminicídio e as perspectivas para um novo concurso da corporação.
Durante a entrevista conduzida pela jornalista Nathalia Carvalho, Luccy Keiko relembrou sua trajetória na Polícia Civil, falou sobre a evolução da instituição ao longo dos anos e destacou as transformações implementadas desde que assumiu o comando da corporação, há quase oito anos.
Um dos principais temas do podcast foi o combate às facções criminosas. O delegado-geral avaliou o atual cenário da atuação de organizações criminosas no Piauí, comentou sobre a presença de grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Bonde dos 40 no estado, além dos desafios enfrentados pela Polícia Civil para conter a expansão dessas facções e impedir sua infiltração em atividades econômicas.
Outro assunto de destaque foram as investigações envolvendo esquemas de pirâmide financeira. Luccy Keiko detalhou o andamento da Operação Extrema Confiança, que apura um suposto esquema de fraude financeira atribuído à empresa Xtreme Trade e que, segundo a Polícia Civil, movimentou mais de R$ 440 milhões e fez centenas de vítimas nos estados do Piauí e Maranhão. O delegado também falou sobre a operação que investiga a DF Group, empresa ligada ao empresário Douglas Fonseca, abordando o estágio das investigações, a possibilidade de novas fases da operação e as medidas adotadas para localizar e bloquear bens dos investigados visando ao ressarcimento das vítimas.
Na entrevista, o delegado-geral também explicou como funciona a integração da Polícia Civil do Piauí com forças de segurança de outros estados em operações interestaduais, ressaltando o compartilhamento de informações de inteligência para o combate ao crime organizado.
A redução dos casos de feminicídio no estado também esteve entre os temas discutidos. Luccy Keiko comentou os resultados alcançados pela Polícia Civil, apontando as estratégias de prevenção e repressão que contribuíram para a diminuição desse tipo de crime, além das políticas públicas desenvolvidas em conjunto com outros órgãos.
O avanço dos golpes virtuais foi outro ponto abordado durante o podcast. O delegado alertou para o crescimento das fraudes praticadas pela internet, especialmente aquelas envolvendo transferências via Pix, falsas plataformas de investimentos, clonagem de contas de WhatsApp e o uso de inteligência artificial para enganar vítimas. Ele também orientou a população sobre medidas de prevenção e explicou quais providências devem ser tomadas por quem sofrer esse tipo de crime.
Questionado sobre o caso da servidora vítima de estupro nas dependências da Delegacia-Geral, Luccy Keiko falou sobre as providências adotadas pela Polícia Civil após o episódio, incluindo mudanças nos protocolos internos de segurança e medidas administrativas implementadas para evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer.
Durante o bate-papo, o delegado-geral ainda respondeu perguntas sobre sua rotina à frente da Polícia Civil, as operações mais marcantes da carreira, eventuais ameaças sofridas em razão da atuação no combate ao crime e a expectativa para a realização de um novo concurso público para reforçar o efetivo da instituição.
Piauí "venceu a guerra" contra as facções, avalia delegado-geral Luccy Keiko
Durante o GP1 Podcast , o delegado-geral da Polícia Civil do Piauí, Luccy Keiko, afirmou que o estado conseguiu reverter o avanço das facções criminosas e reduzir significativamente os índices de violência, sobretudo após a reestruturação das forças de segurança iniciada em 2023.
Segundo o delegado, quando a atual gestão assumiu a Polícia Civil, o cenário era preocupante, especialmente no litoral do estado e na região de Piripiri, áreas que concentravam forte atuação de organizações criminosas.
"Eu acho que realmente o Piauí ganhou essa guerra. Quando nós iniciamos a nova gestão, em 2023, a gente estava com uma situação muito difícil, principalmente no litoral e na região de Piripiri", afirmou.
Integração entre as forças de segurança
Luccy Keiko destacou que um dos fatores decisivos para o enfrentamento das facções foi a atuação integrada entre as forças de segurança. Conforme o delegado, uma das primeiras medidas adotadas foi o fortalecimento da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), composta por policiais civis, Polícia Federal, Polícia Militar e Polícia Penal.
Além disso, a Polícia Civil implantou unidades especializadas do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) em cidades estratégicas do interior. "Passamos a iniciar o projeto DRACO já em 2023, com delegacias especializadas em Bom Jesus, Piripiri, Floriano, Picos e Parnaíba, além da atuação da FICCO", explicou.
Agilidade da Justiça fortaleceu investigações
Outro ponto ressaltado pelo delegado foi a parceria com o Tribunal de Justiça do Piauí, que reestruturou a Justiça Criminal e ampliou as Centrais de Inquérito no estado.
Segundo Luccy Keiko, essas unidades permitem maior rapidez na análise de pedidos de medidas cautelares, como prisões preventivas, dando mais eficiência às investigações. "Houve um diálogo muito forte com o Tribunal de Justiça, que criou e reforçou as Centrais de Inquérito. Isso trouxe agilidade para os pedidos de medidas cautelares. Em muitos casos conseguimos uma prisão preventiva no mesmo dia. Em outros estados, esse procedimento pode levar até dois meses", destacou.
Prisões por organização criminosa reduziram violência
O delegado explicou ainda que a mudança na estratégia investigativa foi fundamental para enfraquecer as facções. Em vez de investigar apenas crimes isolados, a Polícia Civil passou a concentrar esforços na comprovação do vínculo dos suspeitos com organizações criminosas. "A investigação evoluiu porque nós não ficamos apenas investigando o crime praticado pelo faccionado. Quando conseguimos comprovar que aquele indivíduo integra uma facção criminosa, ele pode ser preso pelo crime de organização criminosa", afirmou.
Segundo Luccy Keiko, essa estratégia permitiu a realização de operações de grande porte, com dezenas de prisões simultâneas. "Foi por isso que conseguimos prender 20, 30, 40 integrantes de uma só vez. Esse encarceramento em massa dos membros das facções foi o que contribuiu diretamente para a redução da criminalidade no Piauí", concluiu.