O médico Ferdnan Pinheiro Rodrigues e uma secretária auxiliar foram presos no município de Bom Jesus-PI, durante a segunda fase da Operação USG, que investiga um esquema de desvios de verbas da saúde pública do estado da Bahia, formado por médicos, ex-secretários municipais de Saúde, agentes políticos e clínicas, causando prejuízo de mais de R$ 12 milhões aos cofres públicos. Ao todo, nove pessoas foram presas.
Os mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão foram cumpridos nos municípios de Formosa do Rio Preto, localizado no oeste da Bahia, além dos municípios de Bom Jesus e Corrente no Piauí.
De acordo com a Polícia Civil da Bahia, o núcleo central da organização era formado pelos ex-secretários municipais que, com o auxílio de familiares e empresários, controlavam contratos de clínicas e laboratórios credenciados pelo município de Formosa do Rio Preto.
Como o grupo criminoso atuava
Entre os envolvidos estão médicos apontados como sócios formais de empresas de fachada e diretores hospitalares responsáveis por validar procedimentos jamais realizados. Relatórios técnicos identificaram que clínicas credenciadas figuravam entre as utilizadas para viabilizar o esquema.
O mecanismo de fraude incluía a emissão de exames, plantões e atendimentos fictícios, além de lançamentos totalmente incompatíveis com a dinâmica assistencial do município. Uma das irregularidades identificadas foi a quantidade de ultrassonografias, considerada nove vezes superior à média regional. Também foram constatados exames superfaturados, valores de medicamentos acima do teto da Anvisa, duplicidade de lançamentos e notas fiscais utilizadas para mascarar serviços inexistentes.
Cerca de 80 policiais participam da operação por meio do Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco-LD) ,da Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (DECCOR), da 11ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Barreiras/BA) e das equipes da Polícia Civil do Piauí.