Na manhã desta quarta-feira (16), o Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) deflagrou a Operação Sintonia Feminina , com o objetivo de desarticular uma célula criminosa ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) que atuava em nove cidades do Piauí.
De acordo com o coordenador do DRACO, delegado Charles Pessoa , as mulheres presas tinham funções estratégicas dentro da facção, chegando a atuar como uma espécie de Recursos Humanos do PCC. “Algumas dessas mulheres participavam de tribunais do crime; outras eram responsáveis por funções administrativas, como a gestão de informações e conteúdos, uma espécie de RH dentro da própria estrutura criminosa. Outras ainda auxiliavam diretamente os companheiros em atividades ilícitas”, explicou o delegado.
Um dos exemplos citados pelo delegado é o do 'Casal do Crime', preso na cidade de Altos. O marido, apontado como extremamente violento, era responsável por execuções, assaltos e tráfico de drogas, enquanto a companheira tinha um papel fundamental de apoio logístico e operacional.
Segundo Charles Pessoa, essas mulheres atuavam de forma organizada, espelhando uma estrutura empresarial. “Dentro dessa estrutura piramidal das facções, existem núcleos internos, um deles é chamado de Cadastro, que funciona como um RH da facção. Outro núcleo, conhecido como Sintonia Feminina, é composto especificamente por mulheres. Essa nomenclatura é usada pela própria facção criminosa, o PCC, que adota essa mesma metodologia em todos os estados onde atua”, destacou.
De acordo com o delegado, a estrutura do PCC se organiza de forma a criar um forte sentimento de pertencimento entre seus integrantes. Ele explicou que os núcleos internos atuam para cooptar e aliciar novos membros, oferecendo não apenas vantagens financeiras, mas também uma sensação de identidade dentro da facção. “Muitas dessas pessoas são atraídas não só pelo dinheiro, mas pela falsa ideia de fazer parte de algo maior, mesmo que essa estrutura criminosa só gere prejuízos à sociedade”, ressaltou Charles Pessoa.
Operação ocorreu em nove cidades
Ao todo, foram cumpridos 74 mandados judiciais nas cidades de Teresina, Parnaíba, Luís Correia, Oeiras, Picos, Canto do Buriti, Monsenhor Gil, Altos e Campo Maior. Segundo o delegado Charles Pessoa, a meta da operação era cumprir 29 prisões em Teresina e nas demais cidades onde a facção atuava. Em Teresina, o objetivo foi alcançado, enquanto nas outras regiões as equipes ainda trabalham para consolidar os números.
“É uma célula criminosa que está sendo investigada há mais de um ano. Na verdade, começou com uma prisão realizada em fevereiro de 2024. Desde então, temos um trabalho de monitoramento permanente. Já vínhamos acompanhando essa célula há algum tempo e entendemos que este seria o momento certo para deflagrar a operação”, afirmou Charles Pessoa.
A expectativa, segundo o coordenador, é que as prisões contribuam para enfraquecer a atuação da facção no estado e garantir mais segurança para a população.