Um policial militar do Piauí, identificado como Carlos Henrique Iuri Gonçalves do Nascimento , foi preso durante uma ação que apura fraude em um concurso público do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJ-PE), realizado em setembro de 2025. O policial é vinculado ao 20º Batalhão da Polícia Militar, sediado no município de Paulistana-PI. A ação foi realizada nessa quarta-feira (25) no âmbito da Operação Kyma, conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco.
O cumprimento dos mandados contou com a atuação das Delegacias de Combate à Corrupção (DECCORs), ligadas ao Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO). Paralelamente, também foi deflagrada a Operação Crivo. Ambas fazem parte de um conjunto de ações classificadas como de repressão qualificada.
As investigações começaram ainda em 2025 e têm como objetivo desmontar um grupo suspeito de manipular resultados de concursos públicos, incluindo o certame do TJ de Pernambuco.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram executados 11 mandados de prisão e 37 de busca e apreensão em residências, além do bloqueio de valores financeiros dos investigados. As determinações partiram das 15ª e 19ª Varas Criminais da capital pernambucana.
Como o grupo atuava
Segundo a Polícia Civil de Pernambuco, o esquema criminoso operava em duas etapas. Na primeira, um dos integrantes conseguia acesso antecipado às provas, registrava o conteúdo e o repassava ao líder do grupo. Em seguida, o material era encaminhado a pessoas responsáveis por resolver as questões, produzindo os gabaritos que seriam vendidos a candidatos interessados.
Para utilizar as respostas de forma clandestina durante as provas, os candidatos lançavam mão de diferentes estratégias, como pontos eletrônicos escondidos no ouvido conectados a celulares, dispositivos disfarçados em formato de cartão com transmissão via bluetooth e até anotações ocultas nas roupas.
Ainda conforme as investigações, membros da organização também compareciam aos locais de aplicação das provas para orientar os participantes sobre como ocultar os equipamentos e identificar o tipo de exame aplicado.
A Polícia Civil apontou que o PM atuava na logística e distribuição de equipamentos usados na fraude, bem como um guarda municipal e o policial penal.