A Polícia Federal encaminhou ao ministro Alexandre de Moraes , do Supremo Tribunal Federal ( STF ), um pedido para que as supostas ameaças de morte recebidas pelo ministro Flávio Dino sejam incorporadas ao inquérito que investiga as chamadas “milícias digitais”. A solicitação se baseia na notícia-crime apresentada por Dino em 10 de setembro, logo após seu voto no julgamento que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro .
Segundo o documento da PF, Dino teria recebido mais de 50 mensagens com “padrão de incitação à violência”, muitas delas fazendo referência aos protestos violentos ocorridos no Nepal. Na época, os atos no país resultaram em dezenas de mortes, centenas de feridos e ataques ao Parlamento e à Suprema Corte local. Para a corporação, a menção aos eventos nepaleses sugere a intenção de estimular atos semelhantes no Brasil.
A análise da Polícia Federal aponta que as ameaças não se restringiram ao ministro, atingindo também o delegado da PF Fábio Shor, responsável por investigar inquéritos sob a supervisão de Moraes. Segundo o ofício, a individualização dos alvos aumenta a gravidade das condutas, ampliando o efeito intimidatório e comprometendo o exercício das funções públicas.
Diante disso, a PF propõe que os fatos sejam avaliados dentro do inquérito das “milícias digitais” e sugere a abertura de uma petição específica. A medida incluiria a expedição de ofícios às plataformas digitais mencionadas, com o objetivo de identificar os responsáveis pelas ameaças e obter dados cadastrais dos perfis envolvidos.