Um parecer do advogado-geral da União, Jorge Messias , que defendia a queda de uma norma do Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre aborto virou munição da oposição contra sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Senadores e deputados oponentes lembram o documento para sustentar que, apesar de cristão, Messias foi a favor da liberação da assistolia fetal em gestações acima de 22 semanas de gravidez (aproximadamente 5 meses).
Na última segunda-feira (24) o senador Sergio Moro (União-PR) em as suas redes sociais, expressou sua opinião "Ou se é a favor da vida ou se é a favor da morte. Nada pessoal contra o AGU, Jorge Messias, mas como alguém que se diz contra o aborto pode ser a favor de sua realização, por assistolia fetal, um procedimento cruel, em gravidez avançada, quando a vida do feto já se tornou viável fora do útero da mãe? Sim, a AGU de Lula foi a favor do aborto tardio em ação proposta pelo PSOL (ADPF 1141). Bastava ser contra. Há alternativas ao aborto legal em gravidez avançada."
O deputado Maurício Marcon (Podemos-RS) e Sóstenes Cavalcante (RJ), se mostram contra a indicação de Jorge Messias feita pelo presidente Lula (PT). Por outro lado, Messias conta com o apoio do ministro do STF André Mendonça, que também é cristão, para conquistar a vaga no STF. Ele precisa passar por uma sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, e obter a aprovação de ao menos 41 senadores para ser nomeado.
Enquanto a questão do aborto dificulta a aderência de Messias entre senadores, movimentos identitários fazem pressão contra a indicação do advogado-geral da União por ele ser um homem branco. A indicação ocorreu no dia da consciência negra, e os grupos buscam uma indicação que os represente.