Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados, acusou o Partido dos Trabalhadores (PT) de “incoerência histórica”. A acusação surgiu durante a votação do Projeto de Lei da Dosimetria, aprovado na madrugada desta quarta-feira (10).

O desentendimento começou quando o deputado Lindbergh Farias (RJ) citou o ex-deputado Ulysses Guimarães, principal articulador da Constituição de 1988, para criticar a votação do projeto, e isso gerou um clima nada amistoso na casa.

Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Hugo Motta

O líder petista disse que Motta citou Ulysses no discurso de posse na Câmara e falou sobre o filme Ainda Estou Aqui. “Vossa Excelência, na posse, falou de Ulysses Guimarães e fez referência ao filme sobre a vida de Rubens Paiva. A família de Paiva não viu aqueles criminosos serem julgados, a de Vladimir Herzog também não. E aí o senhor coloca esse projeto de forma oportunista, com um objetivo só: reduzir as penas de generais golpistas e do ex-presidente Jair Bolsonaro”, afirmou o Lindbergh.

Lindbergh acusou Hugo Motta de estar cometendo um crime ao pautar o Projeto de Lei da Dosimetria. “O senhor está cometendo um crime, interferindo em um julgamento ainda em curso. Tem núcleos que ainda serão julgados. Que decepção”.

A divisão entre Motta e Lindbergh acontece após uma ruptura na relação entre os dois políticos. Na terça-feira (09), o líder do PT chegou a dizer que o Motta descumpriu decisão judicial e afirmou que ele deveria responder por crime de responsabilidade, passível de ser afastado do cargo.

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