Às vésperas do recesso parlamentar, governo e Congresso protagonizam mais um duelo pelo controle do Orçamento de 2026. Com a análise da Lei de Diretrizes Orçamentárias marcada para esta semana, a Comissão Mista de Orçamento tenta acelerar uma agenda que ficou meses paralisada por impasses políticos. No centro da disputa, está o choque entre o plano econômico do governo, que tenta recompor receitas e dar sustentação ao arcabouço fiscal, e a pressão de parlamentares para garantir emendas e preservar o fundo eleitoral do próximo ano.

O atraso acumulado criou um ambiente de tensão na Esplanada. Enquanto o ministro Fernando Haddad condiciona o avanço do Orçamento ao corte de benefícios fiscais e à revisão de gastos obrigatórios, lideranças do Congresso resistem a qualquer medida que possa afetar setores organizados ou reduzir o espaço das emendas. Senadores e deputados argumentam que o governo superestima receitas e subestima despesas, criando um cenário artificial que comprometeria a execução orçamentária ao longo de 2026. Para eles, o Planalto busca equilíbrio apenas pelo aumento da arrecadação, sem enfrentar de forma consistente o redesenho das despesas.

Foto: Jonas Pereira/Agência Senado
Congresso Nacional

Nos bastidores, o impasse expôs um problema recorrente: a falta de coordenação política. Parlamentares da base e da oposição apontam que o governo tem falhado na articulação e liberado emendas de forma desigual, alimentando insatisfações e travando acordos essenciais. Especialistas ouvidos pelo Congresso reforçam que o conflito não é novo — trata-se da disputa típica entre um Orçamento “realista”, ajustado às condições fiscais, e um Orçamento “eleitoral”, que amplia promessas e projeções para atender às demandas regionais. Em meio a essas pressões, temas sensíveis, como o salário mínimo de 2026 e a atual configuração das emendas, tornam-se peças fundamentais na negociação final.

Mesmo com divergências profundas, o relógio pesa para todos os lados. Se a LDO for aprovada até quarta-feira (3), abre-se caminho para os ajustes finais da LOA e para a definição do espaço fiscal do próximo ano. Adiar a votação significaria travar emendas, desorganizar a programação financeira e levar a crise para 2026 — um risco que governo e Congresso parecem dispostos a evitar.