Assessores próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva já reconhecem, nos bastidores, que as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, anunciadas por Donald Trump , têm grandes chances de entrar em vigor no próximo dia 1º de agosto. Embora o governo mantenha um discurso público de que ainda há espaço para negociação, a expectativa interna é pessimista quanto a uma possível reversão.

Sinais recentes vindos de Washington reforçam essa avaliação. Além de declarações e publicações de Trump nas redes sociais, em tom crítico ao Governo Lula, a Casa Branca tomou medidas simbólicas como a revogação dos vistos diplomáticos de autoridades brasileiras, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Presidente Lula no Palácio da Alvorada

Mesmo assim, o Planalto opta por adotar cautela e evita anunciar qualquer medida de retaliação antes do prazo final. A orientação é intensificar a pressão diplomática sem escalar o conflito. Integrantes do governo lembram que, em situações semelhantes, Trump já recuou de tarifas impostas a outros países, como China, México e Canadá, embora reconheçam que, desta vez, o cenário seja menos favorável ao Brasil.

Nos bastidores, auxiliares de Lula citam como referência a guerra comercial entre EUA e China, quando Pequim reagiu às tarifas com contramedidas e, meses depois, as duas potências chegaram a um acordo parcial. Para o governo brasileiro, esse histórico pode oferecer um caminho de saída, mas a expectativa imediata é de que as tarifas contra o Brasil sejam mantidas, ao menos inicialmente.