Nesta quinta-feira (24), vieram à tona novamente as operações realizadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Nordeste durante o segundo turno das eleições de 2022, após o depoimento do ex-diretor da corporação, Silvinei Vasques. Ele negou ter emitido ordens para impedir que eleitores do então candidato Lula se deslocassem.
Silvinei afirmou, no interrogatório, que a PRF abordou 324 ônibus na região em 30 de outubro de 2022, dos quais 13 foram recolhidos. “Nós abordamos 28 mil pessoas”, disse Vasques. “Não tem como interferir num universo de 150 milhões.”
Sem ordens políticas
Silvinei explicou que, nos casos de apreensão, foram acionados outros veículos para transportar os passageiros. Ele afirmou ainda que, no Pará, o transporte coletivo chegou a ser escoltado até o destino por viaturas policiais. Segundo o ex-diretor, as operações visavam coibir crimes eleitorais, sem qualquer direcionamento político ou ordens ilegais do então ministro da Justiça, Anderson Torres.
Réu no “núcleo 2” da ação penal sobre a suposta tentativa de golpe de Estado, Silvinei declarou: “Eu nunca participei de uma organização criminosa, porque eu não conheço essas pessoas”. De acordo com as investigações, o ex-diretor teria orientado agentes da PRF a dificultarem o acesso de eleitores às urnas, em especial no Nordeste, região em que Lula superou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Silvinei reforçou, no depoimento, que a corporação seguia determinações institucionais. “Tudo que recebemos como determinação entendemos que deveria ser cumprido por dever legal”, disse. “Não vi nenhuma ilegalidade nas falas do ministro. Foi isso que repassamos à PRF.”
Prisão
O ex-diretor havia sido preso em 2023, acusado de coordenar operações que teriam impedido eleitores de votar no segundo turno. À época, ele chegou a pedir votos para Bolsonaro em suas redes sociais.
Em agosto do ano passado, o ministro Alexandre de Moraes concedeu liberdade a Silvinei, impondo o uso de tornozeleira eletrônica como condição. Ele foi exonerado do cargo de diretor-geral da PRF após a repercussão dos fatos eleitorais.