Dois senadores da República estão no centro de uma nova controvérsia envolvendo o uso da cota parlamentar para custear despesas pessoais — desta vez, com vinhos, cervejas e drinks sofisticados. Os gastos, bancados com dinheiro público, vieram à tona em um levantamento divulgado pelo Metrópoles e já geram reações no Senado, que promete exigir a devolução dos valores.

Os parlamentares em questão são Humberto Costa (PT-PE) e Giordano (MDB-SP), que tiveram notas fiscais ressarcidas pela Casa, mesmo contendo bebidas alcoólicas, em restaurantes de São Paulo, Brasília e Recife.

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
Humberto Costa

Giordano, por exemplo, apresentou em janeiro uma despesa de R$ 330 em um restaurante italiano na Vila Guilherme, zona norte de São Paulo, incluindo uma garrafa de vinho Fragole Lambrusco. Desse valor, R$ 292 foram pagos com a cota parlamentar. Em fevereiro, em Brasília, o senador teve outra conta com o drink Aperol Spritz, no valor de R$ 253, também reembolsada.

No caso de Humberto Costa, as notas trazem ainda mais detalhes: em janeiro, no Recife, ele recebeu R$ 50 de reembolso por um vinho Bois Mirail e, em março, outros R$ 13,32 por um gin tônica. Ao longo de 2024, a soma das bebidas ressarcidas pelo Senado ao petista alcança R$ 227,32, incluindo cervejas importadas, chope e outros rótulos de vinho.

A repercussão do caso reacendeu o debate sobre os limites éticos e legais da cota parlamentar, criada para custear despesas diretamente ligadas ao exercício do mandato, como transporte, hospedagem e alimentação, mas não para financiar o consumo de bebidas alcoólicas em ocasiões sociais ou particulares.

Procurados, os senadores ofereceram justificativas distintas. Giordano reconheceu que houve reembolso de bebidas alcoólicas e alegou que os pedidos foram feitos por assessores, sem atenção aos itens detalhados nas notas fiscais. Já o gabinete de Humberto Costa afirmou que solicita regularmente a exclusão das bebidas, mas culpou falhas dos estabelecimentos e do próprio sistema do Senado pelo pagamento indevido.

Sem anúncio no momento

O Senado Federal, por sua vez, reconheceu as inconsistências e informou que notificará os parlamentares para que devolvam os valores aos cofres públicos.