O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou nessa quarta-feira (28) que o colegiado convocou o banqueiro Daniel Vorcaro para prestar depoimento aos parlamentares. A convocação foi comunicada durante a sessão do X. Na mesma sessão, marcada para a próxima quinta-feira, 5 de fevereiro, o Congresso Nacional deve ouvir o ex-CEO do BMG, Cardamome Neto.
Viana informou ainda que pretende recorrer para invalidar um habeas corpus que libera Maurício Camosoti de comparecer à comissão.
Também nesta quarta, senadores e deputados solicitaram mais tempo para investigar descontos ilegais nas folhas de pagamento de aposentados e pensionistas do INSS. Inicialmente, os trabalhos da CPMI estão previstos para se encerrar em 28 de março, mas o prazo deve ser prorrogado. Datas específicas ainda não foram definidas.
“Não é aceitável encerrar esse trabalho sem que todas as responsabilidades sejam devidamente apuradas (...) Tenho convicção de que o pedido de prorrogação será analisado com seriedade e acolhido, em respeito ao interesse público e ao dever constitucional do Congresso Nacional de fiscalizar e dar respostas ao povo brasileiro”, declarou Viana à Agência Senado.
Retomada dos trabalhos
A CPMI deve retomar os trabalhos no dia 5 de fevereiro. A agenda completa para o ano ainda não foi divulgada, e o Congresso retoma oficialmente suas atividades na próxima segunda-feira (2).
Neste ano, a comissão terá como foco a análise de fraudes em empréstimos consignados, incluindo casos de assédio, concessão sem consentimento e renovações fraudulentas que geraram dívidas impagáveis para aposentados e pensionistas.
Em 2025, a CPMI ouviu 26 testemunhas, entre elas Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Relator da comissão, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL) qualificou Antunes como “autor do maior roubo a aposentados e pensionistas da história do Brasil”. Segundo dados da CPMI, ele teria operado o esquema movimentando R$ 24,5 milhões em cinco meses.
Até janeiro de 2026, a CPMI analisou 4,8 mil documentos, protocolou 73 requerimentos de informação e realizou 48 quebras de sigilo. Foram identificadas 108 empresas suspeitas e investigadas movimentações financeiras que superam R$ 1,2 bilhão, de acordo com dados da Agência Senado .