O presidente do PSD, Gilberto Kassab , deu mais um passo decisivo na reorganização do tabuleiro político paulista ao anunciar a filiação de seis deputados estaduais do PSDB à sua legenda. Com a movimentação, formalizada para a próxima janela partidária, o partido tucano, que dominou a Assembleia Legislativa de São Paulo por mais de duas décadas, passa a contar com apenas dois parlamentares, a menor bancada de sua história. O PSD, por sua vez, salta para 11 cadeiras e se consolida como uma das forças centrais da Casa.
A debandada expõe o esvaziamento contínuo do PSDB, que perdeu o governo paulista em 2022 e, desde então, vem acumulando derrotas eleitorais e deserções internas. Sem lideranças nacionais de peso e incapaz de renovar seu capital político, o partido deixou de eleger prefeitos em capitais, encolheu nos municípios paulistas e viu governadores migrarem para siglas mais competitivas, sobretudo o próprio PSD. A Alesp era um dos últimos redutos tucanos ainda de pé.
O avanço de Kassab também tem leitura estratégica no contexto do Governo Tarcísio de Freitas. Ao ampliar sua base na Assembleia, o PSD ganha musculatura para negociar espaço político e influencia diretamente o debate sobre a composição da chapa de reeleição em 2026, especialmente a definição do vice. Kassab tem reiterado apoio público ao governador, enquanto fortalece sua posição como ator indispensável na coalizão estadual.
Para analistas, o movimento revela mais do que oportunismo eleitoral: indica a consolidação de Kassab como um polo de centro autônomo em São Paulo, capaz de atrair quadros de diferentes origens e ocupar o vácuo deixado pelo colapso tucano. Sobre os escombros do PSDB, o PSD avança não apenas em número com olhos no médio e longo prazo.