O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), avalia uma reaproximação política com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), com o objetivo de acelerar a tramitação de propostas consideradas prioritárias pelo Governo Federal.
Entre os principais projetos em discussão estão o fim da escala de trabalho 6x1 e a PEC da Segurança Pública, ambas tratadas pelo Planalto como pautas estratégicas para o próximo período político.
O diálogo entre Lula e Alcolumbre, no entanto, foi interrompido em abril, após a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias , ao Supremo Tribunal Federal (STF). A derrota no Senado ocorreu em meio a um ambiente já desgastado entre o Executivo e o parlamentar, agravado desde o ano passado, quando não foi escolhido o nome do senador Rodrigo Pacheco para a Corte.
Segundo o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), há sinais de disposição para uma retomada do diálogo por parte do presidente do Senado. Ele afirmou que Alcolumbre tem reiterado o interesse em uma conversa com o chefe do Executivo, embora a decisão ainda esteja em avaliação por Lula.
A interlocução política também envolve articulações no Congresso Nacional. O governo teme que o impasse possa atrasar a análise de propostas já aprovadas na Câmara, como a PEC da Segurança Pública, além de dificultar o avanço da proposta que trata do fim da escala 6x1.
O líder governista ressaltou ainda que o tema da jornada de trabalho não deve sofrer bloqueios na tramitação. A expectativa é de construção de um acordo que permita a votação no Senado sem maiores atrasos.
Nos bastidores, auxiliares do governo atribuem a ausência recente de reunião entre Lula e Alcolumbre à agenda intensa de compromissos oficiais do presidente, que tem priorizado agendas públicas e ações administrativas com foco em entregas do governo.
Apesar do cenário de tensão, o Palácio do Planalto voltou a encaminhar a indicação de Jorge Messias ao STF, reafirmando a intenção de exercer a prerrogativa presidencial. No Congresso, porém, ainda há incertezas sobre a possibilidade de aprovação do nome em uma nova votação.