O ministro André Mendonça , do Supremo Tribunal Federal ( STF ), foi sorteado como relator da queixa-crime apresentada pelo ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado ( PSD ), contra o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos ( PSOL ). A ação acusa Boulos dos crimes de calúnia, difamação e injúria após declarações em um vídeo publicado nas redes sociais.
No vídeo, Boulos afirma que Caiado estaria "envolvido, hoje, em um problema relacionado ao crime organizado em Goiás". A declaração faz referência a uma investigação envolvendo contratos firmados pelo Governo de Goiás com a Fundação Pró-Cerrado.
Entenda a queixa-crime
A ação apresentada pela defesa de Caiado tem como base uma série de publicações feitas por Boulos em maio deste ano em quatro redes sociais diferentes. Nas postagens, o ministro afirma que existe uma contradição entre o discurso de combate ao crime organizado adotado por Caiado e as investigações envolvendo a Fundação Pró-Cerrado, classificando o caso como "mais um capítulo da hipocrisia da extrema direita".
Na gravação, Boulos relaciona contratos firmados pelo governo goiano com a fundação a uma investigação sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro.
"Ronaldo Caiado e os bolsonaristas adoram dizer que são linha-dura no combate ao crime organizado. Quem vê, pensa. Esse mesmo Ronaldo Caiado está envolvido hoje em um escândalo relacionado ao crime organizado lá em Goiás. O dono de uma fundação foi preso por lavar dinheiro para o crime, e essa mesma fundação tem um contrato de R$ 141 milhões, é isso mesmo, R$ 141 milhões, com o governo de Caiado em Goiás", afirmou Boulos.
A defesa de Caiado sustenta que a investigação citada por Boulos apura supostas atividades ilícitas praticadas por integrantes da fundação em âmbito privado e que não possui relação com os contratos firmados entre a entidade e o Governo de Goiás.
Os advogados também afirmam que não existe qualquer imputação contra Caiado no inquérito e acusam Boulos de construir uma "narrativa falsa", sugerindo que o então governador estaria envolvido no suposto esquema ou teria sido conivente com a lavagem de dinheiro.
Em resposta, Boulos afirmou, em publicação na rede social X, que Caiado está "brigando com os fatos" e disse que o pré-candidato também teria de processar os veículos de imprensa que noticiaram o caso e a Polícia Civil de São Paulo, responsável pela operação.
Até o momento, o Supremo Tribunal Federal não definiu uma data para analisar a queixa-crime. O processo está sob relatoria do ministro André Mendonça e segue em tramitação na Corte.